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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Desapego


por Monja Coen Sensei
















"Foi um erro ter insistido em ficar na direção do templo. 
A insistência fez com que eu conhecesse o lado sombrio de muita gente. 
Foram muitas decepções, desgastes e tristezas em alguns momentos. 
Demorei para me desapegar. É um equilíbrio sutil entender 
quando é hora de cuidar do que plantamos e quando desapegar.


Depois que saí de lá, um grupo de praticantes me seguiu, 
e surgiram inúmeras oportunidades de transmitir o budismo. 
Não há nada fixo. Não dá para segurar um cargo, uma posição. 
Acho que essa é a lição mais bonita. 
Quando você desiste de uma ideia fixa, você se abre para o Universo. 
Uma expressão que temos no budismo é: 


“Cai sete vezes, levanta oito. O chão onde você cai 
é o chão que lhe sustenta de pé. Não reclame da queda”. 


Isso é o que aprendi. Hoje enxergo a saí­da do templo 
como uma oportunidade para lidar com os ensinamentos de Buda. 
Estava muito fechada na comunidade japonesa. Graças a tudo isso, 
tive a chance de levar o budismo para o Brasil inteiro."
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fonte: Revista Vida Simples

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Depois do fim


por Paulo Brabo

Com frequência cada vez maior penso que a grande contribuição da mensagem cristã, a novidade que representou tamanha reviravolta no modo de se ver o mundo que, passados dois milênios, continua produzindo improváveis ebulições em todas as áreas da cultura e do pensamento – tenha sido justamente essa: a de ensinar e desafiar aos homens a viver nesta vida uma vida depois do fim.

Naturalmente, em tradições mais antigas do que o cristianismo a expectativa do fim e a ideia do fim já representavam um papel fundamental no modo como as pessoas viam o mundo. Os egípcios sonharam uma formidável viagem pós-morte rumo à eternidade nas estrelas, os gregos pesaram a sobrevivência da alma imponderável depois da cessação do corpo físico e os judeus vislumbraram um juízo final que saberia regular os desequilíbrios da terra e corrigir as injustiças desta vida. Neste sentido, os povos já mapeavam e antecipavam algum modo de existência depois do fim, e usavam esse ponto final como marco fundamental no horizonte: era ao mesmo tempo um destino e uma esperança, um vértice e uma ameaça que servia para alinhar os rumos da vida e orientar os meandros da cultura.

A sacada espetacular do cristianismo foi introduzir modos de discurso que falam, por assim dizer, de uma antecipação do fim. A mensagem evangélica pesca o fim de sua posição num futuro inalcançável (e, portanto, sempre um pouco irrelevante) e o arrasta para esta vida, para o aqui e o agora, para o fulcro sem escapatória de hoje. Imagens como batismo, ressurreição, salvação, arrependimento e novo nascimento articulam em harmonia essa mesma antecipação do fim, e abrem desse modo a perspectiva inédita de um depois que, assombrosamente, começa agora.

Cristãos são essencialmente gente que resolve ou acredita habitar, aqui neste mundo, o mundo depois do fim. É isso, basicamente isso; porém a notícia, que era uma vertigem quando foi proposta, permanece vertigem nos nossos dias. Essa conversão, essa mudança fundamental de ponto de vista, mostrou-se irresistível desde o início e (a despeito de todos os mal tratos a que se submeteu a ideia original) não perdeu de todo o seu fascínio ao longo das gerações. No fim das contas essa é uma perspectiva (talvez a única, embora possa ser articulada de várias formas) capaz de imprimir, em cada um, uma luz nova e sem precedentes sobre as coisas e os ritmos de sempre.

Quer seja um rei ou um escravo, um ser humano 
que por alguma razão passa a acreditar-se 
habitante do mundo depois do fim 
sente-se de modo súbito e inesperado 
alçado de vítima à condição 
de senhor do seu mundo. 
Seu status de sobrevivente o torna 
de certo modo invulnerável, 
uma figura sempre um pouco subversiva 
e inerentemente perigosa para o sistema.

Como o mundo dos limites usuais e das coisas de sempre deixa de repente de ser o seu mundo, esse cara deixa finalmente de sentir-se neste mundo como um estranho e como um estrangeiro. O tempo e o corpo e as vastidões acima das propriedades e o chão dos pés descalços e o toque dos rios; todo o espaço da vida passa a ser uma herdade recuperada a ser experimentada com inteireza e com serenidade, com uma desilusão redentora que é ao mesmo tempo uma espécie autossuficiente de felicidade.

Para um habitante do sempre saturado mundo ocidental, essa doce desilusão que é uma cura consiste na salvação.

Porque, como seres humanos que somos, vivemos de tentar atribuir significado ao que não tem, pelo que sabemos, significado algum. Essa tarefa sem fim de espalhar significados ao longo do curso de um universo frio e perplexo se chama cultura e fé e, muito pobremente, civilização.

Essa missão exigentíssima e mortal nos consome e nos define, pelo que vivemos incessantemente buscando um sentido que sobreviva à cessação definitiva, ao momento em que o universo nos devorará finalmente a carne e as ideias: um sentido que sobreviva depois do fim.

É naturalmente por isso que ouvimos histórias, participamos de ritos e lemos livros: porque as histórias e os livros e os ritos terminam vez após outra e nós perduramos, ao menos por um pouco de tempo. Toda a cultura consiste no elencar desses rituais que encenam um processo conduzido solenemente até um fim a que podemos, ao contrário daquele definitivo, sobreviver. Não há na realidade livros bons ou satisfatórios, mas mesmo os livros mais medíocres terminam, e é sobreviver a esse senso de conclusão e de resolução a redenção que procuramos neles e neles encontramos.

A esperança é a última que morre, e só não morre porque sobrevive de alimentar-se da longa fila de fins transitórios e transicionais que antecipam o último. Resta sempre a esperança que o próximo fim suplente se mostrará maior e mais suficiente do que este que acabamos de deixar para trás.

É tola e é só uma esperança, mas se deixasse de ser uma coisa deixaria também de ser a outra.
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Postagem de despedida do site
Bacia das Almas. (lamentavelmente).

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Meu caminho para o ateísmo



Todos os dias leio os depoimentos divulgados nas redes sociais pela ATEA. Neles me deparo com alguns questionamentos que já me fiz. E outros já me fizeram.

Sou professor. E como tal, nunca escondi minha concepção de mundo. E volta e meia sou abordado por alunos para perguntarem do tema ou tirarem dúvidas. Já tive relato de alunos que foram perseguidos e assediados no trabalho por começarem a questionar a religião. Pequenas inquisições na nossa época. E esse depoimento é em parte para esses que entre as dúvidas e as perseguições seguem se questionando.


Sou ateu instintivo desde de uns 6 ou 7 anos. Isso, em parte era influência da série “Cosmos” do Carl Sagan. A Rede Globo passava a série na TV lá pelos idos de 1985 nas madrugadas, algo como 6h00, antes do antigo telecurso segundo grau. Eu vibrava com as imagens e as palavras daquele astrônomo da Nasa. Me sentia leve imaginando um universo com bilhões de anos de idade e com uma infinidade de anos-luz de dimensão. Sentia arrepios ao ver como funcionava a evolução e como aquilo se encaixava. E como nosso cérebro funcionava. O ponto de interrogação como ponto de partida para entender o mundo. Era o pensar acima do crer.

Mas meu ateísmo era, por assim dizer, instintivo. E nos anos seguintes, sempre havia dúvidas. Ainda mais com colegas indo para a igreja aos domingos ou amigos fazendo catecismo.

Mesmo assim, por alguma razão, pensava eu, não fazia sentido acreditar em um ser superior que ficasse observando meus atos e esse ser não tomasse providências frente as injustiças do mundo.

Mas com todo instinto, havia uma dose de incerteza.

Talvez a razão primordial seja o fato que em minha casa sempre houve diferentes caminhos religiosos. Meu avô era budista. Meu pai é da umbanda. Minha mãe católica, na juventude foi da cruzada e quando trabalhou nas fábricas, mais próxima das CEBs/Pastorais, mas distante. Meus pais se casaram na igreja de São José, a igreja dos lituanos da Vila Zelina, homenageando José, operário. E me batizaram na Igreja de Nossa Senhora da Aparecida. Havia um tio que me presenteou uma coleção completa dos quadrinhos da DC Comics e da Marvel de 1979 até 1993 era mórmon. E eu tinha um tio caminhoneiro que acreditava nas estrelas, que olha para o céu e me falava de como era a visão das estrelas que ele via no interior do Brasil e que se ele pudesse, gostaria de ir para o cosmo. Na família havia ainda parentes distantes que estudavam parapsicologia e outros que haviam se tornado evangélicos e se afastado de todos.

Eu observava isso e me questionava se isso fazia sentido. Qual a razão de tantas diferenças?

Olhava a moral religiosa e via que não fazia sentido um deus que ficasse vigiando a masturbação alheia ou o sexo antes do casamento e não cuidasse dos bebês com fome, com frio, doentes. Não ajudasse.

Aos 14 ou 15 anos, descobri a concepção materialista da história e a teoria da evolução diretamente. Na época eu andava de skate e tinha o cabelo verde. Mas eu já tinha uma noção clara de que eramos produtos da história, seja natural, através da evolução, seja social, através da nossa ação consciente no mundo, através do trabalho de dominação da natureza.

Quando li pela primeira vez a frase de Marx de que “o homem faz a religião, a religião não faz o homem.”, ela me fez um profundo sentido. É o que eu podia ver em toda mitologia, em todas as concepções animistas de mundo e particularmente na tradição religiosa judaíco-crista-islâmica. Em geral cita-se apenas a passagem “A religião opio do povo”. Mas a frase é muito maior do que essa citação: 

“A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo. A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola. A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suporte sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em tomo de si mesmo.”
 (Introdução a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel).

Isso me marcou profundamente. Principalmente pois reconhecia que a religião na história teve um papel social. O de dar conforto num mundo sem conforto.

A ideia de outras vidas, de outros mundos, de outras oportunidades em épocas passadas, em parte, era uma vingança aos senhores da vida material. Era uma maldição a aqueles que mandavam na vida e na morte, imaginar que aqueles que eram sacrificados e martirizados acreditavam numa outra vida, ou num céu muito melhor que a vida na terra.

Mesmo na forma mais elementar, me parece, que fazia sentido as tribos semitas que vagavam pela Mesopotâmia criarem uma cosmogênese como a explicada no relato do “Gênesis”. Imagine a 2500 anos antes de nossa era, uma criança perguntando ao seu pai: “de onde viemos?”, “como surge o dia e a noite?”… A mitologia judaica era uma evolução significativa frente as outras religiões babilônicas, egípcias e mesmo persa. Ainda que sejamos obrigados a lembrar que foram os masdeístas (zoroastrismo) persas, que libertaram os judeus do cativeiro babilônico e permitiram a liberdade religiosa no Império Persa. A concepção judaico-cristão-islâmica de deus criador é evidentemente uma criação conceitual significativa: um deus acima de todos os demais e com superpoderes inquestionavelmente superiores a todos os demais deuses: onipresença, onisciência, onipotência e onibenevolência. Poder estar em todos os lugares, poder saber tudo o que se passa, poder fazer o que quiser e ainda ter a capacidade, se quiser, de ser bom de modo ilimitado… São atributos de grandes proporções e botam medo em todos os praticantes dos onanismo.

Revendo Carl Sagan, já mais velho, percebi que o universo sendo fruto do caos da matéria em eterno movimento, me parecia muito mais belo que qualquer deus a minha imagem e semelhança. O universo não foi feito para nós e nós somos resultado de um mero acaso. E temos de viver com isso, aproveitar esse acidente que foi o desenvolvimento da humanidade e da consciência na humanidade para superar todas as divisões que possam existir entre nós, sejam elas religiosas, sejam elas sociais.

Isso não significa que eu seja contra a religião. A fé de cada um pertence ao coração de cada indivíduo. (...) Você tem direito a ter sua fé. E ela é de caráter privado.  

Isso não significa que eu seja contra a religião. A fé de cada um pertence ao coração de cada indivíduo. Por isso, na sala de aula sempre digo: você tem direito a ter sua fé. E ela é de caráter privado. E é um direito de cada um tê-la, conquista que no Brasil, é preciso reconhecer, foi obra da atividade do Jorge Amado, quando foi deputado pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) na década de 1940, um mérito que junto com a obra Capitães de Areia não pode ser esquecido, apesar de tanta sujeira e crimes desse senhor, feitos à serviço do stalinismo. Mas suas relações com os terreiros baianos, sem dúvida obrigaram ele a inscrever pela primeira vez na lei brasileira o direito democrático de liberdade religiosa.

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Não que eu concorde, mas achei o texto bem interessante.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Teólogo sugere que evangélicos deixem homossexuais em paz

da ALC

O teólogo presbiteriano Juan Stam propôs às igrejas evangélicas uma moratória, de cinco anos, para que elas analisem com calma o assunto da homossexualidade, deixem os homossexuais em paz e se fixem em outros temas mais importantes e evangélicos.

Ná íntegra AQUI.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Dois Pontos: Blog da Cidadania


1
Os que odeiam homossexuais
Os ataques a homossexuais em São Paulo continuam se sucedendo. E no mesmo local, a avenida Paulista, que vai se tornando vitrine da homofobia. Assista ao vídeo do último ataque, divulgado nesta sexta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

2
Quem quiser enxergar como os Estados Unidos da América são um país que não tem a menor condição de apontar o dedo para nações como o Irã e que pratica terrorismo de Estado tão virulento quanto aquele que diz combater, não pode deixar de ver as imagens que este post reproduz.