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terça-feira, 11 de junho de 2013

AOS QUE AINDA SABEM SONHAR

por Andre Borges Lopes

"Jovens vão às ruas e nos mostram 
que desaprendemos a sonhar."


O fundamental não é lutar pelo direito de fumar maconha em paz na sala da sua casa. O fundamental não é o direito de andar vestida como uma vadia sem ser agredida por machos boçais que acham que têm esse direito porque você está "disponível". O fundamental não é garantir a opção de um aborto assistido para as mulheres que foram vítimas de estupro ou que correm risco de vida. O fundamental não é impedir que a internação compulsória de usuários de drogas se transforme em ferramenta de uma política de higienismo social e eliminação estética do que enfeia a cidade. O fundamental não é lutar contra a venda da pena de morte e da redução da maioridade penal como soluções finais para a violência. O fundamental não é esculachar os torturadores impunes da ditadura. O fundamental não é garantir aos indígenas remanescentes o direito à demarcação das suas reservas de terras. O fundamental não é o aumento de 20 centavos num transporte público que fica a cada dia mais lotado e precário.



O fundamental é que estamos vivendo uma brutal ofensiva do pensamento conservador, que coloca em risco muitas décadas de conquistas civilizatórias da sociedade brasileira.

O fundamental é que sob o manto protetor do "crescimento com redução das desigualdades" fermenta um modelo social que reproduz – agora em escala socialmente ampliada – o que há de pior na sociedade de consumo, individualista ao extremo, competitiva, ostentatória e sem nenhum espaço para a solidariedade.

O fundamental é que a modesta redução da nossa brutal desigualdade social ainda não veio acompanhada por uma esperada redução da violência e da criminalidade, muito pelo contrário. E não há projeto nacional de combate à violência que fuja do discurso meramente repressivo ou da elegia à truculência policial.

O fundamental é que a democratização do acesso ao ensino básico e à universidade por vezes deixam de ser um instrumento de iluminação e arejamento dos indivíduos e da própria sociedade, e são reduzidos a uma promessa de escada para a ascensão social via títulos e diplomas, ao som de sertanejo universitário.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos "libertários" e "de esquerda" hoje abriram mão de disputar ideologicamente os corações e mentes dos jovens e dos novos "incluídos sociais" e se contentam em garantir a fidelidade dos seus votos nas urnas, a cada dois anos.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos "sociais-democratas" já não tem nada a oferecer à juventude além de um neo-udenismo moralista que flerta desavergonhadamente com o autoritarismo e o fascismo mais desbragados.
O fundamental é que a promessa da militância verde e ecológica vai aos poucos rendendo-se aos balcões de negócio da velha política partidária ou ao marketing politicamente correto das grandes corporações.

O fundamental é que os sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis estão entregues a um processo de burocratização, aparelhamento e defesa de interesses paroquiais que os torna refratários a uma participação dinâmica, entusiasmada e libertária.

O fundamental é que temos em São Paulo um governo estadual que é francamente conservador e repressivo, ao lado de um governo federal que é supostamente "progressista de coalizão". Mas entre a causa da liberação da maconha e defesa da internação compulsória, ambos escolhem a internação. Entre as prostitutas e a hipocrisia, ambos ficam com a hipocrisia. Entre os índios e os agronegócio, ambos aliam-se aos ruralistas. Entre a velha imprensa embolorada e a efervescência libertária da Internet, ambos namoram com a velha mídia. Entre o estado laico e os votos da bancada evangélica, ambos contemporizam com o Malafaia. Entre Jean Willys e Feliciano, ambos ficam em cima do muro, calculando quem pode lhes render mais votos.

O fundamental é que o temor covarde em expor à luz os crimes e julgar os aqueles agentes de estado que torturaram e mataram durante da ditadura acabou conferindo legitimidade a auto-anistia imposta pelos militares, muitos dos quais hoje se orgulham publicamente dos seus crimes bárbaros – o que nos leva a crer que voltarão a cometê-los se lhes for dada nova oportunidade.

O fundamental é que vivemos numa sociedade que (para usar dois termos anacrônicos) vai ficando cada vez mais bunda-mole e careta. Assustadoramente careta na política, nos costumes e nas liberdades individuais se comparada com os sonhos libertários dos anos 1960, ou mesmo com as esperanças democráticas dos anos 1980. Vivemos uma grande ofensiva do coxismo: conservador nas ideias, conformado no dia-a-dia, revoltadinho no trânsito engarrafado e no teclado do Facebook.

O fundamental é que nenhum grupo político no poder ou fora dele tem hoje qualquer nível mínimo de interlocução com uma parte enorme da molecada – seja nas universidades ou nas periferias – que não se conforma com a falta de perspectivas minimamente interessantes dentro dessa sociedade cada vez mais bundona, careta e medíocre.

 Os mesmos indignados que se esgoelam no mundo virtual clamando que a juventude e os estudantes "se levantem" contra o governo e a inação da sociedade, são os primeiros a pedir que a tropa de choque baixe a borracha nos "vagabundos" quando eles fecham a 23 de Maio e atrapalham o deslocamento dos seus SUVs rumo à happy-hour nos Jardins.

Acuados, os políticos "de esquerda" se horrorizam com as cenas de sacos de lixo pegando fogo no meio da rua e se apressam a condenar na TV os atos de "vandalismo", pois morrem de medo que essas fogueiras causem pavor em uma classe média cada vez mais conservadora e isso possa lhes custar preciosos votos na próxima eleição.

Enquanto isso a molecada, no seu saudável inconformismo, vai para as ruas defender – FUNDAMENTALMENTE – o seu direito de sonhar com um mundo diferente. Um mundo onde o ensino, os trens e os ônibus sejam de qualidade e gratuitos para quem deles precisa. Onde os cidadãos tenham autonomia de decidir sobre o que devem e o que não devem fumar ou beber. Onde os índios possam nos mostrar que existem outros modos de vida possíveis nesse planeta, fora da lógica do agribusiness e das safras recordes. Onde crenças e religião sejam assunto de foro íntimo, e não políticas de Estado. Onde cada um possa decidir livremente com quem prefere trepar, casar e compartilhar (ou não) a criação dos filhos. Onde o conceito de Democracia não se resuma à obrigação de digitar meia dúzia de números nas urnas eletrônicas a cada dois anos.

Sempre vai haver quem prefira como modelo de estudante exemplar aquele sujeito valoroso que trabalha na firma das 8 da manhã às 6 da tarde, pega sem reclamar o metrô lotado, encara mais quatro horas de aulas meia-boca numa sala cheia de alunos sonolentos em busca de um canudo de papel, volta para casa dos pais tarde da noite para jantar, dormir e sonhar com um cargo de gerente e um apartamento com varanda gourmet.

Não é meu caso. Não tenho nem sombra de dúvida de que prefiro esses inconformados que atrapalham o trânsito e jogam pedra na polícia. Ainda que eles nos pareçam filhinhos-de-papai, ingênuos em seus sonhos, utópicos em suas propostas, politicamente manobráveis em suas reivindicações, irresponsavelmente seduzidos pelos provocadores de sempre.

Desde a Antiguidade, esses jovens ingênuos e irresponsáveis são o sal da terra, a luz do sol que impede que a humanidade apodreça no bolor da mediocridade, na inércia do conformismo, na falta de sentido do consumismo ostentatório, nas milenares pilantragens travestidas de iluminação espiritual.

Esses moleques que tomam as ruas e dão a cara para bater incomodam porque quebram vidros, depredam ônibus e paralisam o trânsito. Mas incomodam muito mais porque nos obrigam a olhar para dentro das nossas próprias vidas e, nessa hora, descobrimos que desaprendemos a sonhar.
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Publicado originalmente no


sábado, 8 de junho de 2013

Qual é a diferença !?

por Marcos Daniel

Ontem assisti "OUTRA TERRA" (uma merda, muita gente indo embora do cinema antes da metade do filme e tals... mas brasileiro q sou fiquei até o fim). Do que se aproveita destaco os quesitos técnicos que sempre são muito bem executados nessas produções cinematográficas estadunidenses. Me chamou a atenção a visão que eles passam do planeta terra depois de ficar zilhões de anos sem a presença da raça humana. Manadas gigantescas de animais selvagens. O céu tomado por aves, o mar repleto de baleias, um verde absoluto. Tudo perfeito e lindo..... um sonho.

Daí eu acabei de ler, perplexo, um artigo INACREDITÁVEL escrito por uma militante de direita, do tipo que faria o Reinaldo Rola-Bosta Azevedo dar xiliques de inveja. A infeliz defende abertamente a xenofobia, acusando os indios de serem inferiores, vagabundos e pinguços.



Em 2013 o filme "A LISTA DE SCHINDLER" completou 20 anos. Assisti alguns documentários, bastidores, cenas inéditas e me lancei na indigesta tarefa de assistir ao filme novamente, 20 anos depois. Pra quem não assistiu e tem estomago forte eu recomendo como pesquisa histórica e tal. O Spilberg é descendente de judeus e na época disse que produziu e dirigiu o filme para deixar um registro daquela sandice toda, na esperança de que aquilo não se repetisse.

Uma das cenas que me chamou a atenção nessa nova leitura (pensa só eu, 20 anos mais velho... o que vi foi outro filme) foi uma em que o exercito nazista vai invadindo a cidade e expulsando os judeus de suas propriedades, mal dando tempo de recolherem seus pertences, e cedendo a propriedade dias depois para comandantes do exercito e patrocinadores do regime, com a mobília, a prataria, enxovais e tudo o mais. A cena me causou uma revolta enorme. Me coloquei na pele daquela gente que morava naqueles imóveis há gerações, sendo expulsa de suas casas simplesmente porque algum grupo muito filho da puta acreditava que eles eram inferiores, vagabundos ou pinguços.

Não é muito comum ver pessoas defendendo o holocausto judeu (teve aquele bispo aquela vez que disse que nada daquilo aconteceu mas esses católicos são estranhos mesmo), mas vejo bastante gente defendendo o holocausto indígena ocorrido no brasil e em outras partes do mundo. 

Pois se é pra defender um holocausto eu defendo esse da raça humana toda. No filme OUTRA TERRA o planeta ficou tão legal sem esse gente branca toda bem vestida dia de domingo pra ir na igreja orar pra um deus que só ama a eles e a mais ninguém.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Como se sente uma mulher

por Claudia Regina*

“Do you know what it feels like for a girl?
Do you know what it feels like in this world?”
- madonna -

Aconteceu ontem. Saio do aeroporto. Em uma caminhada de dez metros, só vejo homens. Taxistas do lado de fora dos carros conversando. Funcionários com camisetas “posso ajudar?”. Um homem engravatado com sua malinha e celular na mão. Homens diversos, espalhados por dez metros de caminho. Ao andar esses dez metros, me sinto como uma gazela passeando por entre leões. Sou olhada por todos. Medida. Analisada. Meu corpo, minha bunda, meus peitos, meu cabelo, meu sapato, minha barriga. Estão todos olhando. 


Aconteceu quando eu tinha treze anos. Praticava um esporte quase todos os dias. Saía do centro de treinamento e andava cerca de duas quadras para o ponto de ônibus, às seis da tarde. Andava pela calçada quase vazia ao lado de uma grande rodovia. Dessas caminhadas, me recordo dos primeiros momentos memoráveis desta violência urbana. Carros que passavam mais devagar do meu lado e, lá de dentro, eu só ouvia uma voz masculina: “gostosa!”. Homens sozinhos que cruzavam a calçada, olhavam para trás e suspiravam: “que delícia.” Eu tinha treze anos. Usava calça comprida, tênis e camiseta.

Agora, multiplique isso por todos os dias da minha vida.

Sei que para homens é difícil entender como isso pode ser violência. Nós mesmas, mulheres, nos acostumamos e deixamos pra lá. Nós nos acostumamos para conseguir viver o dia a dia.

Esses dias, estava sentada na praia vendo o mar, e dele saiu uma moça. Passou por um rapaz que disse algo. Ela só saiu de perto e veio na minha direção. Dei boa noite, ela falou que a água estava uma delícia, e conversamos um pouco. Perguntei se o cara havia lhe falado alguma besteira. Ela disse, “falou, mas a gente tá tão acostumada, né?, começa a ignorar automaticamente”.

O privilégio é invisível. Para o homem, só é possível ver o privilégio se houver empatia. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, todos os homens foram subjugados, violentados, assassinados, podados, controlados. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, só mulheres foram cientistas, físicas, chefes de polícia, matemáticas, astronautas, médicas, advogadas, atrizes, generais. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, nenhum representante do seu gênero esteve em destaque, na televisão, no teatro, no cinema, nas artes. Na escola, você aprende sobre a história feita pelas mulheres, a ciência feita pelas mulheres, o mundo feito pelas mulheres.


No seu texto “Um teto todo seu”, Virgínia Woolf descreve por que seria impossível para uma hipotética irmã de Shakespeare escrever de forma genial como ele. Woolf diz:


“quando lemos sobre uma bruxa sendo queimada, uma mulher possuída por demônios, uma mulher sábia vendendo ervas… acho que estamos olhando para uma escritora perdida, uma poeta anulada.”

Desde o início do patriarcado, há cinco mil anos, as mulheres não tiveram liberdade suficiente para serem cientistas ou artistas. Woolf explica:

“liberdade intelectual depende de coisas materiais. … E mulheres foram sempre pobres,  não por duzentos anos, somente, mas desde o início dos tempos.”

Esse argumento não serve somente para mulheres: negros, pobres e outras minorias não poderiam ser geniais poetas pois, para isso, é necessário liberdade material.


Embora o mundo esteja em processo de mudança, ainda existem menores oportunidades e reconhecimento para mulheres e minorias exercerem qualquer ocupação intelectual. Leitores de uma página do facebook sobre ciências ainda supõem que o autor seja homem e comentaristas de televisão não consideram manifestações culturais que vêm da favela como cultura de verdade.

É verdade: hoje, a vida é muito melhor, principalmente para a mulher ocidental como eu. Mas, mesmo sendo uma mulher livre e bem-sucedida vivendo em uma metrópole ocidental, ainda sinto na pele as consequências destes cinco mil anos de opressão. E, se você quiser ver essa opressão, não precisa ir nos livros de história. É só ligar a televisão:

Rio de Janeiro, 2013. Um casal é sequestrado em uma van. As sequestradoras colocaram um strap-on sujo, fedido de merda e mofo, e estupraram o rapaz. Todas elas, uma a uma, enfiavam aquela pica enorme no cu do moço, sem camisinha e sem lubrificante. A namorada, coitada, tentou fazer algo mas foi presa e levou chutes e socos.

Ao ver esta notícia, você se coloca no lugar da vítima (que sofreu uma das piores violências físicas e psicológicas existentes) ou no lugar de quem assistiu? Naturalmente troquei os gêneros: a violência real aconteceu com uma mulher.

Quantas violências eu sofro só por ser mulher?

Na infância, fui impedida de ser escoteira pois isso não era coisa de menina. Fui estuprada aos oito anos. (Eu e pelo menos dois terços das mulheres que conheço e que você conhece sofreram um estupro e provavelmente não contaram para ninguém.) Sofri a pré-adolescência inteira por não me comportar como moça. Por não ter peitos. Por não ter cabelos longos e lisos. Desde sempre tive minha sexualidade reprimida pela família, pela sociedade, pela mídia. Qualquer coisa que eu pisasse na bola seria motivo para ser chamada de vadia. Num dos primeiros empregos, escutei que mulheres não trabalham tão bem porque são muito emocionais e têm TPM. Em um outro emprego, minha chefe disse que meu cabelo estava feio e pagou salão para eu ir fazer escova e ficar mais apresentável pros clientes. Decidi que não quero ser escrava da depilação e sou olhada diariamente com nojo quando ando de shorts ou blusinha sem mangas. Já usei muita maquiagem, só porque a televisão e os outdoors mostram mulheres maquiadas, e portanto é muito comum nos sentirmos feias de cara limpa. 

Você, homem, sabe o que é maquiagem? Tem um produto para deixar a pele homogênea, um pra disfarçar olheiras, outro para disfarçar manchas, outro para deixar a bochecha corada, outro para destacar a sobrancelha, outro para destacar os cílios, outro para colorir as pálpebras, outro para colorir os lábios. Quantas vezes você passou tantos produtos na sua cara só porque seu chefe ou seu primeiro encontro vai te achar feio de cara limpa? Quando estou no metrô preciso procurar um cantinho seguro para evitar que alguém fique se roçando em mim. Você faz isso? Quando vou em reuniões de família, me perguntam por que estou tão magra, e o que fiz com o cabelo e quem estou namorando. Para o meu primo, perguntam o que ele está estudando e no que está trabalhando. Na televisão, 90% das propagandas me denigrem. Quase nenhum filme me representa ou passa no teste de Bechdel. Todas as mulheres são mostradas com roupas sexy, mesmo as super heroínas que deveriam estar usando uma roupa confortável para a batalha. As revistas me ensinam que o meu objetivo na cama é agradar o meu homem. Enquanto você, menino, comparava o seu pau com o dos amiguinhos, eu, menina, era ensinada que se masturbar é muito feio e que se eu usar uma saia curta não estou me dando o respeito. Quanto tempo demorei para me desfazer da repressão sexual e virar uma mulher que adora transar? Quanto tempo demorei para me soltar na cama e conseguir gozar, enquanto várias das minhas colegas continuam se preocupando se o parceiro está vendo a celulite ou a dobrinha da cintura e, por isso, não conseguem chegar ao gozo? Quanto tempo demorei para conseguir olhar para um pau e transar de luz acesa? Quantas vezes escutei, no trânsito, um “tinha que ser mulher”? Quantas vezes você fechou alguém e escutou “tinha que ser homem”? Tudo isso para, no fim do dia, ir jantar no restaurante e não receber a conta quando ela foi pedida pois há cinco mil anos sou considerada incapaz. E tudo isso, porra, para escutar que estou exagerando e que não existe mais machismo.

Isso é um resumo muito pequeno do que eu sofro ou corro o risco de sofrer todo dia. Eu, mulher branca, hetero, classe média. A negra sofre mais que eu. A pobre sofre mais que eu. A oriental sofre mais que eu. Mas todas nós sofremos do mesmo mal: nenhum país do mundo trata suas mulheres tão bem quanto trata seus homens. Nenhum. Nem a Suécia, nem a Holanda, nem a Islândia! Em todo o mundo “civilizado” sofremos violência, temos menos acesso à educação, ao trabalho ou à política.

Em todo o mundo, somos ainda as irmãs de Shakespeare.

* * *

E você, leitor homem? Quando é abordado de forma hostil por um estranho na rua, pensa “por favor, não leve meu celular” ou “por favor, não me estupre”?


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Claudia Regina. Largadora por vocação.
Largou carreira, largou faculdade, largou Curitiba.
Hoje mora no Rio mas quica pelo mundo, fotografando,
tomando sopa e cochilando. Autora do blog
Dicas de Fotografia, fotógrafa e viajante.
Publicado originalmente em Papo de Homem. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Razões para NÃO reduzir a maioridade penal

Por Vinícius Bocato,


Na última semana uma tragédia abalou todos os funcionários e alunos da Faculdade Cásper Líbero, onde estou terminando o curso de jornalismo. O aluno de Rádio e TV Victor Hugo Deppman, de 19 anos, foi morto por um assaltante na frente do prédio onde morava, na noite da terça-feira (9). O crime chocou não só pela banalização da vida – Victor Hugo entregou o celular ao criminoso e não reagiu –, mas também pela constatação de que a tragédia poderia ter acontecido com qualquer outro estudante da faculdade.

Esse novo capítulo da violência diária em São Paulo ganhou atenção especial da mídia por um detalhe: o criminoso estava a três dias de completar 18 anos. Ou seja, cometeu o latrocínio (roubo seguido de morte) enquanto adolescente e foi encaminhado à Fundação Casa.




Óbvio que a primeira reação é de indignação; acho válida toda a revolta da população, em especial da família do garoto, mas não podemos deixar que a emoção nos leve a atitudes irresponsáveis. Sempre que um adolescente se envolve em um crime bárbaro, boa parte da população levanta a voz para exigir a redução da maioridade penal. Alguns vão adiante e chegam a questionar se não seria hora do Estado se igualar ao criminoso e implantar a pena de morte no país. Foi o que fez de forma inconsequente o filósofo Renato Janine Ribeiro, em artigo na Folha de S. Paulo (restrito a assinantes), por ocasião do assassinato brutal do menino João Hélio em 2007.

Além de obviamente não termos mais espaço para a Lei de Talião no século XXI, legislar com base na emoção nada mais atende do que a um sentimento de vingança. Não resolve (nem ameniza) o problema da violência urbana.

O que chama a atenção é maneira como a grande mídia cobre essas tragédias. A maioria das matérias que vemos nos veículos tradicionais só reforçam uma característica do Brasil que eles mesmo criticam: somos o país do imediatismo. A cada crime brutal cometido por um adolescente, discutimos os efeitos da violência, mas não as suas causas. Discutimos como reprimir, não como prevenir. É uma tática populista que desvia o foco das reais causas do problema.

AQUI o artigo na íntegra.



Vinícius Bocato,25 anos,
estudante de jornalismo da
Faculdade Cásper Líbero.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O nosso lugar

por Claudia Penteado


“A vida me fez de vez em quando pertencer, 
como se fosse para me dar a medida 
do que eu perco não pertencendo. 
E então eu soube: pertencer é viver.”
- clarice lispector -

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Uma amiga confessou outro dia sua sensação de completo deslocamento no mundo. Depois que infartou, embora tenha se recuperado físicamente, não conseguiu reconectar-se à vida que levava, como se não tivesse mais direito a ela. Como se estivesse prestes a ir embora e tenha ganho uma sobrevida “de lambuja”. Passou a sentir um entorpecimento permanente e achou mais simples passar a deixar as pessoas decidirem seus próximos passos – o marido, a filha, os amigos. Ficou com a sensação de que “desencarnou” da sua própria história e busca, de alguma maneira, a reencarnação. A notícia recente de que seus exames médicos não estavam lá essas coisas piorou a sensação de vulnerabilidade. De repente, via-se postergando planos, pensando: “e se eu não estiver viva até lá?”…

Isso me fez pensar que os sentimentos da minha amiga “desencarnada” em vida são, na verdade, os mesmos de muitos de nós em pleno século XXI: uma espécie de não pertencimento e a sensação de constante vulnerabilidade. Ou ainda: angústia, por acreditar que é preciso pertencer a algum grupo ou lugar a qualquer preço, sob pena de flutuar no limbo. Quem já se sentiu ou tem se sentido assim ultimamente?

Em uma entrevista recente, o filósofo Zygmunt Bauman afirmou que hoje em dia trocamos de identidade várias vezes ao longo de uma existência e que isso pode ser extremamente angustiante. Antigamente, vivia-se “uma vida só”: nascia-se, fazia-se uma única escolha profissional, trocava-se talvez de esposa/marido uma vez no máximo (ou não), envelhecia-se com tranquilidade e calma, o tempo passava de uma forma que talvez pareça até monótona, mas o fato é que havia a possibilidade e a perspectiva de se viver uma vida só. Uma vida inteira sem grandes transformações ou mudanças de rumo. Sem que isso causasse, necessariamente, frustração ou angústia.

O mundo de hoje nos mostra, o tempo todo, que há muitas vidas a serem vividas. A vida virtual, claro, é uma delas. E há várias vidas virtuais possíveis, dependendo das rede sociais em que se está. Em algumas você brinca de intelectual, em outras é mais pessoal e sedutor, em outras inventa um personagem inteiramente novo ou pode viver, por exemplo, taras inconfessáveis. Se por um lado é divertido viver tantas personas, por outro a sensação de não pertencer a lugar algum de verdade pode gerar uma eterna insatisfação. Na vida virtual, mais do que na real, há uma sensação de que é preciso fazer, o tempo todo, algo novo. Algo que surpreenda, mostre o quanto se é interessante, bacana, alguém que vale a pena “seguir” ou ser amiga. Que foto incrivelmente bela ou sexy vou inserir na minha linha do tempo? Que frase vou “postar” hoje nas redes sociais para angariar elogios e comentários? Que foto ou piada fará as pessoas me acharem incrivelmente engraçado? Que estilo de vida vou defender?

Na vida real, mais angústias. Dependendo da sua profissão, se você não tem um smartphone, não responde seus e-mails rapidamente, não tem uma conta no Facebook, nunca leu um livro digital ou não tem intimidade com um iPad, torna-se uma alma penada e sofre olhares de pena de seus pares. O estereótipo do “velhinho antenado”, que mexe com tecnologia com o pé nas costas – sim, ele existe, me garantem -, é amplamente explorado pela mídia e deixa um monte de gente… no buraco negro do não pertencimento. E que profissão vou escolher depois dos 40, já que virou tendência tornar-se escritor, músico, intelectual, consutor, terapeuta ou iogue na segunda metade da existência, depois de comprovado que todas as escolhas foram equivocadas?

E, repare, as mudanças de profissão podem acontecer várias vezes ao longo da vida pós-moderna. Apurando uma matéria sobre aprimoramento profissional, ouvi de diretores de Recursos Humanos de grandes empresas que os “jovens de hoje” têm imensa facilidade de mudar de profissão repentinamente, se algo lhes parecer mais atraente. Mantê-los nas empresas é um desafio imenso e o que seduz não é só dinheiro ou um bom “plano de carreira”: é uma espécie de estado contínuo de excitação e empolgação no ambiente de trabalho. Sem tesão não há solução, já dizia Roberto Freire. Nunca isso foi mais verdadeiro. Isso deve gerar um bocado de ansiedade. Chego a ficar cansada de pensar nisso.

E quando é o momento certo de separar do parceiro para viver uma outra história afetiva, que tenha mais a ver com a pessoa em que me transformei? Com quem viverei novos sonhos ou quem sabe velhos sonhos de juventude que ficaram escondidos e empoeirados e finalmente me permito viver? Posso ter outro filho perto dos 60 anos ou adotar um bebê…E, porque não, passar uns meses na Índia ou fazer o caminho de Santiago para rever toda a minha existência. Sabe-se lá que outras tantas opções isso trará ao meu destino? A impermanência virou um estado natural. A grama do(s) vizinho(s) – que nunca foram tantos – jamais esteve mais verde do que agora. Impossível pensar em continuar simplesmente fazendo a mesma coisa, todos os dias, e ser feliz com isso. Isso nos torna monótonos, sem perspectivas, sem graça, sem brilho. É preciso se reinventar, inovar, incorporar o bordão pós-moderno.

É claro que ter tantas opções diante de nós e mudar pode ser saudável, divertido e maravilhoso. Esta não é uma apologia à não mudança! Meu ponto é que a cobrança social pela mudança pode angustiar e frustrar, quando não nos sentimos verdadeiramente conectados às nossas escolhas. Quando não mudamos porque realmente queremos. Não mudar é também uma escolha e não deve ser um fator condenatório ou sepultador. Não é fácil, no mundo de hoje, conquistar o direito de não mudar o tempo todo e ser feliz com isso.

Demanda muita honestidade consigo mesmo escolher a própria vida – independente do que corre ao redor – e sentir-se confortável nela, como numa cadeira mole do Sergio Rodrigues.

Ultimamente, eu realmente acredito que no lugar de pensar tanto e olhar excessivamente em volta, o que necessitamos é simplesmente mergulhar no doce e autêntico sabor das nossas escolhas, olhando para dentro, e não para fora. Pensando menos no futuro e mais no presente – um clichê que nos libera, como descreve Lispector numa crônica, da sensação de estar no deserto, sôfrego, bebendo os últimos goles de água de um cantil. Porque o mundo de hoje pode, mesmo, nos dar esta sensação.

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Texto publicado originalmente
na Revista Época

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Desapego


por Monja Coen Sensei
















"Foi um erro ter insistido em ficar na direção do templo. 
A insistência fez com que eu conhecesse o lado sombrio de muita gente. 
Foram muitas decepções, desgastes e tristezas em alguns momentos. 
Demorei para me desapegar. É um equilíbrio sutil entender 
quando é hora de cuidar do que plantamos e quando desapegar.


Depois que saí de lá, um grupo de praticantes me seguiu, 
e surgiram inúmeras oportunidades de transmitir o budismo. 
Não há nada fixo. Não dá para segurar um cargo, uma posição. 
Acho que essa é a lição mais bonita. 
Quando você desiste de uma ideia fixa, você se abre para o Universo. 
Uma expressão que temos no budismo é: 


“Cai sete vezes, levanta oito. O chão onde você cai 
é o chão que lhe sustenta de pé. Não reclame da queda”. 


Isso é o que aprendi. Hoje enxergo a saí­da do templo 
como uma oportunidade para lidar com os ensinamentos de Buda. 
Estava muito fechada na comunidade japonesa. Graças a tudo isso, 
tive a chance de levar o budismo para o Brasil inteiro."
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fonte: Revista Vida Simples

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ocupação patética, reação tenebrosa


















"(...) Como se viu, tudo desandou. Absolutamente tudo, 
o que se nota pela declaração do ministro-candidato-a-prefeito 
(algo como: bater em viciado pode, em estudante, não) 
e do governador (vamos dar aula de democracia para esses safadinhos), 
passando pela atitude da própria polícia 
(tão aplaudida como o caveirão do Bope que arrebenta favelas), 
de cinegrafistas (ávidos por flagrar os “marginais” de camiseta GAP) 
e de muitos, mas muitos mesmo, cidadãos que só esperavam 
o ataque aéreo dos japoneses em 
Pearl Harbor para, em nome da legalidade, 
arremessar suas bombas atômicas sobre Hiroshima.

O episódio, em si isolado, é sintomático em vários aspectos. 
Primeiro porque mostra que, 
como outros temas-tabus (questão agrária, aborto…), 
a discussão sobre a rebeldia estudantil é hoje um convite 
para o enterro do bom senso. 
O episódio foi, em todos os seus atos, uma demonstração 
do que o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle 
chama de pensamento binário do debate nacional
 – segundo o qual a mente humana, 
como computadores pré-programados, 
só suporta a composição “zero” ou “um”. 

Ou seja: estamos condicionados a um debate que só serve para dividir 
os argumentos em “a favor” ou “contra”, “aliado” ou “inimigo”.

Na íntegra AQUI

domingo, 27 de maio de 2012

Eu vejo você


por Henrique Erebus, no blog Sapiens Cordis

Infelizmente vivemos tempos de desesperada pressa. As pessoas mal conseguem se ouvir, quanto mais se ver. E não estou falando da função biológica, escutar ou enxergar. Refiro-me à ação integral e total de prestar atenção no outro. Saber que alguém está próximo a nós, ou conosco, é uma coisa. Percebê-lo totalmente, como Ser, e reagir precisamente a este Ser, é outra coisa. E mesmo isto exige algo de uma "reflexão filosófica existencial" muito profunda: quem esta pessoa é de verdade? Quem eu sou de verdade?

A maioria de nós, seres humanos, não interage com os outros, com o que realmente são. Reage apenas, e tão somente à parcela de sua própria ignorância, ilusões projetadas indistinta e indiscriminadamente sobre tudo e todos...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pessoa Certa X Pessoa Errada


por Martha Mendonça


Mas o que exatamente isso significa?

De forma geral, é fácil ter uma resposta. Pessoa certa é a que deu certo com a gente. Pessoa errada deu errado. Simples? Talvez nem tanto.

O que me incomoda é que essas expressões – mesmo que usadas de forma superficial – dão a entender que existe uma falta de flexibilidade em relação à felicidade de cada um. Para cada um, existiria alguém certo – e, por consequencia, alguém errado.

Mas e se os errados formos nós e não o outro?

E se nós, diante da ideia de o Sr. ou Sra. Pessoa Certa (ou Mr. Right, como se diz em inglês) está nos esperando a cada esquina, começarmos a achar todo o resto do mundo Errado?
E se o Sr. Pessoa Certa aparecer no momento errado, quando nós estivermos fazendo de tudo para provar para nós mesmo que o Sr. Pessoa Errada é o Sr. Pessoa Certa?

E se o Sr. Pessoa Certa achar que nós somos a Sra. Pessoa Errada?

Acho que Certo ou Errado é uma questão de prestar atenção, saber cuidar, querer ser Certo pro outro. E também, por outro lado, desistir do que é claramente Errado, mesmo que a gente deseje muito que seja Certo, mesmo que pareça que o mundo vai acabar sem ela ou ela, mesmo que o mundo é que pareça todo Errado sem aquela pessoa do nosso lado.

Ou não. Vai ver eu não sou a Pessoa Certa pra falar disso.
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Publicado originalmente na Revista Época.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Fico aqui a pensar


por Claudia

Qual o tamanho de uma decepção e sua importância em nossos sentimentos. Ela pode mesmo ser gigantesca. Claro que o que é importante para mim, com certeza pode ser algo que passa despercebido ao causador da decepção.

Passamos por muitas coisas ao longo da vida! vivemos cada instante, bom ou ruim. Podemos dizer que a decepção traz consigo uma sombra ruim, um gosto amargo na boca e um nó no estomago, que te desmotiva, que te faz pensar que nada mais é confiável.

Isso acontece porque nós só nos decepcionamos com as pessoas que sabiam dos nossos mais puros sentimentos, a quem dedicamos verdadeiro amor, confiança e amizade. Pode ser de um AMIGO a quem entregamos e compartilhamos os mais profundos segredos, medos e desejos, e que de um momento ao outro ele fica diferente, duvidando da nossa sinceridade, do nosso afeto, da nossa lealdade, esquecendo o preço que tem para a gente! Também pode ser de um alguém, que um dia chega e nos diz que o amor acabou, que já não fazemos mais parte da sua história. 

Assim nos iludimos. assim veremos que nada mas tem sentido! quando nos DECEPCIONAMOS com alguém, principalmente alguém muito especial, AMIGO IRMÃO AMADO, o mundo para, aquele sentimento maravilhoso DESAPARECE, aquele sonho que você achou realmente que existia, um conto de fadas que não era verdade. 

Uma decepção muitas vezes nos traz mágoas, tristeza, raiva, ilusão, desesperança no ser humano. Mas às vezes pode nos fazer entender que nada é perfeito! Nada é para sempre, nem as amizades nem os amores… o negocio é viver a vida, e seguir enfrente a qualquer preço. 

Passar por decepções na vida todo mundo passa, mas que ela vai embora, ahhh vai! 

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publicado originalmente no Cantinho da Fênix 

domingo, 20 de maio de 2012

Minhas impressões sobre a Parada Gay de Máringa





De maneira pacífica e ordeira, 
as cores do movimento LGBT 
foram 'colorindo' lentamente 
a região central de Maringá.








O que dizer da Parada LGBT de Maringá. Eu temia não viver o bastante para testemunhar esse tipo de manifestação aqui  na provinciana Má-ringa, tão preconceituosa, heteronormativa e conservadora. Me enganei.

Temia também que houvesse algum tipo de conflito, com grupos religiosos ou pessoas gratuitamente homofobicas, mas tudo correu na mais perfeita ordem.

Drags exuberantes tirando fotos com pais e mães e crianças. Famílias inteiras (algumas mantendo uma certa distância). Casais de moças, casais de rapazes, todos bem jovens, abraçados. Demonstrações publicas de afeto, uns tiozinhos de mãos dadas, umas coroas também, tudo sem incidentes.

Algumas pessoas tão insuspeitas. Passa por mim um tiozinho bem vestido, de mão-dada com uma perua magrela, e eu fico pensando: Será que é !?

O número de curiosos é equivalente ao de efetivos participantes. Mas não chegou aos 8.000 noticiados pela imprensa. Se na Parada tinha 5.000 então na Marcha tinha 10.000.



"O colorido das bandeiras e as 'fantasias' irreverentes de alguns participantes 
atraíram inúmeros curiosos. Enquanto uns preferiram acompanhar 
a movimentação a distância, outros se misturaram a multidão como o casal 
Margareth, 51 anos, e Jair da Silva, 55 anos. 
"Estou super feliz em participar da Parada Gay, sempre tive vontade 
de ir a um evento assim, mas ainda não tinha tido oportunidade. 
Eu e toda minha família temos inúmeros amigos homossexuais, 
que frequentam a nossa casa e são pessoas maravilhosas. 
Eu diria que alguns deles são até melhores do que 
muitas pessoas ditas 'normais'. O preconceito precisa acabar", 
defendeu Margareth." 



Mas acho natural que haja mais ovelhas na Marcha para Jesus. Primeiro porque há mais evangélicos do que gays. Segundo que a própria ideologia do cristianismo estimula o crente a manifestar publicamente sua opção por Jesus Cristo. Só se é crente à partir do momento em que se declara isso, o que é conhecido como “profissão de fé”. Os conflitos, interno e externo, são muito menores quando se trata de sair do armário religioso. A sociedade acolhe, a família não da muita importância, é tudo bem tranquilo.  

No caso do armário da sexualidade, o problema fica bem mais complicado. Não bastasse o drama do conflito consigo mesmo, de se aceitar como homossexual, ainda há depois esse desabrochar, primeiro a família, depois escola, trabalho, e finalmente o mundo. Acho que o grande desafio para as lideranças LGBT é convencer os gays a saírem do armário.



"Fabiana soube do evento através de amigos homossexuais e, 
curiosa, resolveu ir a Parada Gay acompanhada do marido 
e das filhas gêmeas Jéssica e Ana, de cinco anos. 
"Estou gostando da festa e não vejo problema 
das minhas filhas estarem aqui. 
Elas precisam aprender a respeitar 
a diversidade desde cedo", disse."



Algumas sapas são lindas. Sei que as militantes detestam esse tipo de afirmação, mas meu coração hetero acha um desperdício (que deselegante).

O clima é, evidentemente, bem lascivo. Beijos e pegações que, ainda que fossem entre heterossexuais, deixariam qualquer frade corado. 

Mas ao ver esse povo fora dos guetos, algumas perguntas ficaram na minha cabeça: Onde essa gurizada alegre e colorida fica “escondida” nos outros 364 dias do ano ? Como esses meninos conseguem disfarçar seus “trejeitos” no dia-a-dia ? Como é isso na escola (eles estudam) ? Como é isso no trabalho ? 

Mas enfim... foi emocionante. Que hajam mais eventos desse tipo. Sem-terra, Sem-teto, Sem-namorada (tô nessa)...

Mas nem tudo são flores. Voltando pra casa, passam por mim dois menininhos, de uns 5 ou 6 anos. O gordinho dá um tapa nas costas do magrelo e diz: Vai lá no meio, você é um!!! E o magrelo, se esquivando, responde; Eu não, vai você! Os pais, que vinham atrás, riem. E assim a heteronormatividade e a homofobia vão se perpetuando, geração após geração.



Limonada










"Eu não vivo no passado, 
embora tenha lembranças 
de muitas coisas boas que vivi. 
Mas o que eu tenho para moldar 
agora é o presente. 
Então, meu estímulo 
é buscar as coisas 
que me parecem interessantes 
e atraentes hoje em dia. 
A partir disso, 
eu faço a minha limonada."
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Marina Lima, 
em entrevista publicada 
originalmente na Revista Época.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Não, a vida não começa aos 40

por Eliane Brum

"(...) A vida começaria aos 40 porque 
as mulheres ainda estariam bonitas, 
já seriam donas de uma carreira consolidada 
e financeiramente estáveis, 
teriam passado por percalços suficientes 
para se sentirem mais confiantes e, 
então, sem as pressões e inseguranças 
dos 20 e até dos 30, 
estariam mais livres para inventar 
novos rumos para suas vidas, 
e novos rumos que estariam 
mais próximos de seus desejos."

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Na íntegra na Revista Época,
onde Eliane Brum escreve
sempre às segundas-feiras.

sábado, 5 de maio de 2012

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Grande Mundo Estapafúrdio

Uma das diversas imagens que o google me tacou na cara
quando o provoquei com a palavra "estapafurdia".








"Essas pessoas incríveis 
devidamente munidas 
com suas teorias rasas 
e estapafúrdias 
sobre os mais diversos assuntos 
realmente me causam 
inenarrável assombro."
marcos daniel



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Acho mister acrescentar que #NuncaEscrevi ESTAPAFÚRDIO.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Motociclista é multado por levar mulher sem capacete na garupa, a nudez dela era mero detalhe



do G1


Cena curiosa ocorreu na cidade
de Constanta, na Romênia.
 

Um motociclista que levava uma mulher nua na garupa de sua moto foi multado pela polícia em Constanta, na Romênia, porque a jovem estava sem capacete, item de segurança obrigatório no país. 

Após a infração, a mulher colocou o capacete e o casal foi liberado pelo agente. 

A cena foi flagrada por motoristas que passavam pelo local, segundo a imprensa local.

Fico imaginando a passividade do "agente" diante de cena tão inusitada. 

Curioso também o fato de que, país modernoso que é, o legislador romeno não esteja muito preocupado em elaborar leis protetoras da moral e dos bons costumes, mas sim protetoras da vida, muito embora andar nu em uma moto aumente significativamente a gravidade dos riscos de ferimentos em caso de um eventual acidente.

E a moça é bem bonita até, tanto na ida quanto na volta.

Tentei imaginar até um diálogo entre o agente, o piloto e a moça, mas deixo isso pra Nana Damasceno que é mais criativa nessa ceara.

Após a infração, mulher colocou
o capacete e casal foi liberado.
 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A espetacularização da babaquice.


Desde sempre, quem me conhece é testemunha, sempre achei esse programa Pânico uma babaquice sem tamanho. Para corroborar minha modesta opinião sobre o tema seguem as palavras do ator Wagner Moura sobre o referido programa.
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“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. 

"O que vai na cabeça de um sujeito 
que tem como profissão 
jogar meleca nos outros? 
É a espetacularização da babaquice.

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?”