Mostrando postagens com marcador Preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Preconceito. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de junho de 2013

"Todos Negros"- A história de uma foto

Esta foto de 1983, tirada pelo fotógrafo Luiz Mourier, nos confronta com uma realidade ainda disfarçada pela crença da "democracia racial", que se traduz em um processo de criminalização do negro e da pobreza.



Foi em uma blitz da PM na estrada Grajaú-Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Quando o repórter e sua equipe chegaram se depararam com esta imagem inacreditável: seis moradores negros de uma comunidade que foram presos e amarrados pelo pescoço como nos tempos de escravidão. 

Trecho do depoimento de Luiz Mourier, gravado em 11/05/2007, a respeito de sua foto intitulada por ele “Todos Negros”:

Quando eu fiz esta foto, eu estava passando pela Grajaú-Jacarepaguá, e, passando pela estrada, percebi que havia uma blitz. Parei e fotografei a blitz. E me deparei com esta cena, os negros todos amarrados pelo pescoço. E até dei o título da foto de “Todos Negros”. E logo em seguida eu fui embora, e mais abaixo tinha uma manifestação dos moradores, eu continuei fazendo a seqüência e tal, e fui embora.

E essa me trouxe meu primeiro prêmio Esso na minha carreira. A sensação que eu tive foi de humilhação. Senti uma cena humilhante. As pessoas humilhadas, pessoas com carteira de trabalho na mão, dava para perceber que não eram bandidos, porque bandidos não usam um tipo de veste assim. É claro que eles se vestem bem melhor que isso. Eram pessoas simples, humildes, todos negros. Senti que era um ato de humilhação. Estavam sendo humilhados ali, carregados pelo pescoço como escravos.

- Do material que você fez nesse dia, você tinha certeza de que esta foto tinha destaque em relação às outras?

Não, não tinha certeza, não. Porque a gente… Eu, pelo menos, sempre… Você faz uma foto na hora, aí você só vai ter uma idéia depois que ela foi revelada. Quando eu estava revelando, sim. Aí, que eu vi a foto revelada, eu falei: “pô, essa vai dar o que falar!…” Que isso não é coisa que possa acontecer com o ser humano nos dias de hoje. Ou na época, na década de 80. Mas, até hoje a gente vê humilhação por aí…

Percebi que houve uma reação grande de todos que viram a foto. Até hoje, até hoje…

Quem ainda não viu e vê a foto… Já foi usada por várias faculdades, já foi tema… Inclusive foi, até, em 1988, quando a escravidão… Fez cem anos da Lei Áurea, ela foi bem revista e colocada para todos verem que cem anos depois ainda havia esse tipo de cena. (…)

Eu percebi que tinha uma blitz, mas eu parei porque tinha um camburão parado na pista. Eu fui lá dentro do mato fazer esta foto aqui. Então, eles estavam praticamente escondidos. Quer dizer, eu cacei!… Não estavam expostos assim, na rua. Você pode ver que tem mato lá no fundo, estavam lá no meio do mato, um caminhozinho no meio do mato. Então, quer dizer, era mais escondido, de uma forma… Eles faziam as mutretas, faziam tudo que tinham que fazer, mas, mais escondidos, para que a imprensa não visse mesmo. Agora, eles não estão nem aí… Agora, é tiro pra cá, é tiro pra lá, caiu ali, se tiver fotografa, se não tiver…

- Nessa foto aí, os PMs tiveram alguma reação de não deixarem você fotografar?

Ah, a reação foi imediata!… O tenente falou: “recolhe, recolhe, recolhe!”. Quando ele percebeu que eu estava fotografando, ele mandou recolher. Só que quando ele mandou recolher, ele não percebeu que eu… O guarda não percebeu que eu estava fazendo uma foto dele. Eu estava com um grande angular, ele achou que eu estivesse fazendo só os presos. E, no entanto, ele estava enquadrado na foto. (…)

Tem a importância que tem hoje porque mostra uma autoridade, ali, que devia usar algemas, no mínimo, e usou uma corda, e amarrada no pescoço. Não foi nem nas mãos, foi no pescoço. Quer dizer, um ato escravo mesmo! (…)

Sim, agora é. Para mim, ela é uma foto histórica. E vai estar sempre no primeiro lugar, pra mim, porque é uma foto que marcou muito esse meu tempo de trabalho.

__________________________________________________
Publicado originalmente no Viomundo.

Luiz Morier diz que foi no Jornal Tribuna da Imprensa 
que tudo começou. Aos seis anos, acompanhava o pai, 
Max Morier, repórter esportivo já falecido, e meio que um 
fundador da Tribuna. Morier começou a carreira de repórter
fotográfico no extinto jornal Última Hora, em 1977. Também 
teve passagens pelo Globo e trabalhou como freelancer no 
Estadão. No Jornal do Brasil trabalhou mais de 25 anos. 
Nos últimos anos tem frilado para várias empresas.

sábado, 8 de junho de 2013

Qual é a diferença !?

por Marcos Daniel

Ontem assisti "OUTRA TERRA" (uma merda, muita gente indo embora do cinema antes da metade do filme e tals... mas brasileiro q sou fiquei até o fim). Do que se aproveita destaco os quesitos técnicos que sempre são muito bem executados nessas produções cinematográficas estadunidenses. Me chamou a atenção a visão que eles passam do planeta terra depois de ficar zilhões de anos sem a presença da raça humana. Manadas gigantescas de animais selvagens. O céu tomado por aves, o mar repleto de baleias, um verde absoluto. Tudo perfeito e lindo..... um sonho.

Daí eu acabei de ler, perplexo, um artigo INACREDITÁVEL escrito por uma militante de direita, do tipo que faria o Reinaldo Rola-Bosta Azevedo dar xiliques de inveja. A infeliz defende abertamente a xenofobia, acusando os indios de serem inferiores, vagabundos e pinguços.



Em 2013 o filme "A LISTA DE SCHINDLER" completou 20 anos. Assisti alguns documentários, bastidores, cenas inéditas e me lancei na indigesta tarefa de assistir ao filme novamente, 20 anos depois. Pra quem não assistiu e tem estomago forte eu recomendo como pesquisa histórica e tal. O Spilberg é descendente de judeus e na época disse que produziu e dirigiu o filme para deixar um registro daquela sandice toda, na esperança de que aquilo não se repetisse.

Uma das cenas que me chamou a atenção nessa nova leitura (pensa só eu, 20 anos mais velho... o que vi foi outro filme) foi uma em que o exercito nazista vai invadindo a cidade e expulsando os judeus de suas propriedades, mal dando tempo de recolherem seus pertences, e cedendo a propriedade dias depois para comandantes do exercito e patrocinadores do regime, com a mobília, a prataria, enxovais e tudo o mais. A cena me causou uma revolta enorme. Me coloquei na pele daquela gente que morava naqueles imóveis há gerações, sendo expulsa de suas casas simplesmente porque algum grupo muito filho da puta acreditava que eles eram inferiores, vagabundos ou pinguços.

Não é muito comum ver pessoas defendendo o holocausto judeu (teve aquele bispo aquela vez que disse que nada daquilo aconteceu mas esses católicos são estranhos mesmo), mas vejo bastante gente defendendo o holocausto indígena ocorrido no brasil e em outras partes do mundo. 

Pois se é pra defender um holocausto eu defendo esse da raça humana toda. No filme OUTRA TERRA o planeta ficou tão legal sem esse gente branca toda bem vestida dia de domingo pra ir na igreja orar pra um deus que só ama a eles e a mais ninguém.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Como se sente uma mulher

por Claudia Regina*

“Do you know what it feels like for a girl?
Do you know what it feels like in this world?”
- madonna -

Aconteceu ontem. Saio do aeroporto. Em uma caminhada de dez metros, só vejo homens. Taxistas do lado de fora dos carros conversando. Funcionários com camisetas “posso ajudar?”. Um homem engravatado com sua malinha e celular na mão. Homens diversos, espalhados por dez metros de caminho. Ao andar esses dez metros, me sinto como uma gazela passeando por entre leões. Sou olhada por todos. Medida. Analisada. Meu corpo, minha bunda, meus peitos, meu cabelo, meu sapato, minha barriga. Estão todos olhando. 


Aconteceu quando eu tinha treze anos. Praticava um esporte quase todos os dias. Saía do centro de treinamento e andava cerca de duas quadras para o ponto de ônibus, às seis da tarde. Andava pela calçada quase vazia ao lado de uma grande rodovia. Dessas caminhadas, me recordo dos primeiros momentos memoráveis desta violência urbana. Carros que passavam mais devagar do meu lado e, lá de dentro, eu só ouvia uma voz masculina: “gostosa!”. Homens sozinhos que cruzavam a calçada, olhavam para trás e suspiravam: “que delícia.” Eu tinha treze anos. Usava calça comprida, tênis e camiseta.

Agora, multiplique isso por todos os dias da minha vida.

Sei que para homens é difícil entender como isso pode ser violência. Nós mesmas, mulheres, nos acostumamos e deixamos pra lá. Nós nos acostumamos para conseguir viver o dia a dia.

Esses dias, estava sentada na praia vendo o mar, e dele saiu uma moça. Passou por um rapaz que disse algo. Ela só saiu de perto e veio na minha direção. Dei boa noite, ela falou que a água estava uma delícia, e conversamos um pouco. Perguntei se o cara havia lhe falado alguma besteira. Ela disse, “falou, mas a gente tá tão acostumada, né?, começa a ignorar automaticamente”.

O privilégio é invisível. Para o homem, só é possível ver o privilégio se houver empatia. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, todos os homens foram subjugados, violentados, assassinados, podados, controlados. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, só mulheres foram cientistas, físicas, chefes de polícia, matemáticas, astronautas, médicas, advogadas, atrizes, generais. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, nenhum representante do seu gênero esteve em destaque, na televisão, no teatro, no cinema, nas artes. Na escola, você aprende sobre a história feita pelas mulheres, a ciência feita pelas mulheres, o mundo feito pelas mulheres.


No seu texto “Um teto todo seu”, Virgínia Woolf descreve por que seria impossível para uma hipotética irmã de Shakespeare escrever de forma genial como ele. Woolf diz:


“quando lemos sobre uma bruxa sendo queimada, uma mulher possuída por demônios, uma mulher sábia vendendo ervas… acho que estamos olhando para uma escritora perdida, uma poeta anulada.”

Desde o início do patriarcado, há cinco mil anos, as mulheres não tiveram liberdade suficiente para serem cientistas ou artistas. Woolf explica:

“liberdade intelectual depende de coisas materiais. … E mulheres foram sempre pobres,  não por duzentos anos, somente, mas desde o início dos tempos.”

Esse argumento não serve somente para mulheres: negros, pobres e outras minorias não poderiam ser geniais poetas pois, para isso, é necessário liberdade material.


Embora o mundo esteja em processo de mudança, ainda existem menores oportunidades e reconhecimento para mulheres e minorias exercerem qualquer ocupação intelectual. Leitores de uma página do facebook sobre ciências ainda supõem que o autor seja homem e comentaristas de televisão não consideram manifestações culturais que vêm da favela como cultura de verdade.

É verdade: hoje, a vida é muito melhor, principalmente para a mulher ocidental como eu. Mas, mesmo sendo uma mulher livre e bem-sucedida vivendo em uma metrópole ocidental, ainda sinto na pele as consequências destes cinco mil anos de opressão. E, se você quiser ver essa opressão, não precisa ir nos livros de história. É só ligar a televisão:

Rio de Janeiro, 2013. Um casal é sequestrado em uma van. As sequestradoras colocaram um strap-on sujo, fedido de merda e mofo, e estupraram o rapaz. Todas elas, uma a uma, enfiavam aquela pica enorme no cu do moço, sem camisinha e sem lubrificante. A namorada, coitada, tentou fazer algo mas foi presa e levou chutes e socos.

Ao ver esta notícia, você se coloca no lugar da vítima (que sofreu uma das piores violências físicas e psicológicas existentes) ou no lugar de quem assistiu? Naturalmente troquei os gêneros: a violência real aconteceu com uma mulher.

Quantas violências eu sofro só por ser mulher?

Na infância, fui impedida de ser escoteira pois isso não era coisa de menina. Fui estuprada aos oito anos. (Eu e pelo menos dois terços das mulheres que conheço e que você conhece sofreram um estupro e provavelmente não contaram para ninguém.) Sofri a pré-adolescência inteira por não me comportar como moça. Por não ter peitos. Por não ter cabelos longos e lisos. Desde sempre tive minha sexualidade reprimida pela família, pela sociedade, pela mídia. Qualquer coisa que eu pisasse na bola seria motivo para ser chamada de vadia. Num dos primeiros empregos, escutei que mulheres não trabalham tão bem porque são muito emocionais e têm TPM. Em um outro emprego, minha chefe disse que meu cabelo estava feio e pagou salão para eu ir fazer escova e ficar mais apresentável pros clientes. Decidi que não quero ser escrava da depilação e sou olhada diariamente com nojo quando ando de shorts ou blusinha sem mangas. Já usei muita maquiagem, só porque a televisão e os outdoors mostram mulheres maquiadas, e portanto é muito comum nos sentirmos feias de cara limpa. 

Você, homem, sabe o que é maquiagem? Tem um produto para deixar a pele homogênea, um pra disfarçar olheiras, outro para disfarçar manchas, outro para deixar a bochecha corada, outro para destacar a sobrancelha, outro para destacar os cílios, outro para colorir as pálpebras, outro para colorir os lábios. Quantas vezes você passou tantos produtos na sua cara só porque seu chefe ou seu primeiro encontro vai te achar feio de cara limpa? Quando estou no metrô preciso procurar um cantinho seguro para evitar que alguém fique se roçando em mim. Você faz isso? Quando vou em reuniões de família, me perguntam por que estou tão magra, e o que fiz com o cabelo e quem estou namorando. Para o meu primo, perguntam o que ele está estudando e no que está trabalhando. Na televisão, 90% das propagandas me denigrem. Quase nenhum filme me representa ou passa no teste de Bechdel. Todas as mulheres são mostradas com roupas sexy, mesmo as super heroínas que deveriam estar usando uma roupa confortável para a batalha. As revistas me ensinam que o meu objetivo na cama é agradar o meu homem. Enquanto você, menino, comparava o seu pau com o dos amiguinhos, eu, menina, era ensinada que se masturbar é muito feio e que se eu usar uma saia curta não estou me dando o respeito. Quanto tempo demorei para me desfazer da repressão sexual e virar uma mulher que adora transar? Quanto tempo demorei para me soltar na cama e conseguir gozar, enquanto várias das minhas colegas continuam se preocupando se o parceiro está vendo a celulite ou a dobrinha da cintura e, por isso, não conseguem chegar ao gozo? Quanto tempo demorei para conseguir olhar para um pau e transar de luz acesa? Quantas vezes escutei, no trânsito, um “tinha que ser mulher”? Quantas vezes você fechou alguém e escutou “tinha que ser homem”? Tudo isso para, no fim do dia, ir jantar no restaurante e não receber a conta quando ela foi pedida pois há cinco mil anos sou considerada incapaz. E tudo isso, porra, para escutar que estou exagerando e que não existe mais machismo.

Isso é um resumo muito pequeno do que eu sofro ou corro o risco de sofrer todo dia. Eu, mulher branca, hetero, classe média. A negra sofre mais que eu. A pobre sofre mais que eu. A oriental sofre mais que eu. Mas todas nós sofremos do mesmo mal: nenhum país do mundo trata suas mulheres tão bem quanto trata seus homens. Nenhum. Nem a Suécia, nem a Holanda, nem a Islândia! Em todo o mundo “civilizado” sofremos violência, temos menos acesso à educação, ao trabalho ou à política.

Em todo o mundo, somos ainda as irmãs de Shakespeare.

* * *

E você, leitor homem? Quando é abordado de forma hostil por um estranho na rua, pensa “por favor, não leve meu celular” ou “por favor, não me estupre”?


_______________________________

Claudia Regina. Largadora por vocação.
Largou carreira, largou faculdade, largou Curitiba.
Hoje mora no Rio mas quica pelo mundo, fotografando,
tomando sopa e cochilando. Autora do blog
Dicas de Fotografia, fotógrafa e viajante.
Publicado originalmente em Papo de Homem. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Homofobia prática


com base em artigo publicado na Revista Lado A.

O pastor homófobo Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, espalhou esta semana outdoors na cidade do Rio de Janeiro com os dizeres: “Em favor da família e preservação da espécie humana. Deus fez macho e fêmea.”

A iniciativa teria a intenção de chamar a atenção do público a barrar leis que violam, segundo a entidade, os princípios cristãos. “Precisamos despertar para a gravidade dessa questão. Somente com Cristo é possível preservar os valores estabelecidos na Bíblia para a família. O povo de Deus tem papel fundamental na propagação dessa verdade. Não podemos olhar um quadro desafiador como esse e ficar de braços cruzados“, defende o pastor em seu site.

Malafaia se refere às leis que criminalizam o preconceito contra homossexuais, que segundo ele vai limitar o seu direito de pensar e se expressar contrariamente, e as leis que promovem direitos, como a da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Para o religioso, Deus criou os cromossomos X e Y, não havendo um cromossomo homossexual (?). Malafaia possui ainda programa de TV em que constantemente aborda tema e promove campanhas contra os direitos homossexuais.

PORQUE !?

Eu fico me perguntando porque essa gente se acha no direito de "ditar" o comportamento de toda a humanidade. Porque essa gente acha que pode passar por cima de outros comportamentos e culturas e "impor" sua visão de mundo. Porque eles não se contentam a dominar o seu rebanho e deixam os indivíduos que nasceram livres decidirem o que é melhor para as suas vidas.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Administrador é demitido após cidade descobrir que sua mulher é atriz pornô

Do G1

O administrador municipal Scott Janke foi demitido na última terça-feira (21) na cidade de Fort Myers Beach, no estado da Flórida (EUA), porque sua mulher, Anabela Mota Janke, é atriz pornô, conhecida na indústria pornô com o nome de "Jazella Moore". Os vereadores decidiram afastar o administrador, pois acreditam que o trabalho de sua mulher poderia afetar a credibilidade da cidade.

"Eu a conheço e não tenho nada de ruim a dizer sobre ela. Ela sempre foi muito agradável", disse A vereadora Jo List, que votou pelo afastamento de Janke do cargo. Já o prefeito Larry Kiker disse que a mulher de Janke parece ser uma pessoa "muito boa". Kiker disse que decidiu demiti-lo para não criar nenhum problema para a cidade.

Janke ocupou diversos cargos públicos desde 1989. Ele se casou com Anabela Mota em outubro de 2008.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sexismo

Segundo a Wikipédia, Sexismo é termo que se refere ao conjunto de ações e idéias que privilegiam entes de determinado gênero (ou, por extensão, que privilegiam determinada orientação sexual) em detrimento dos entes de outro gênero (ou orientação sexual). Embora seja constantemente usado como sinônimo de machismo é na verdade um hiperônimo deste, já que é possível identificar diversas posturas e idéias sexistas (muitas delas bastante disseminadas) que privilegiam o gênero feminino em detrimento do gênero masculino ou que privilegiem homossexuais em detrimento de heterossexuais.

Ações sexistas podem partir de diversos pressupostos, destacando-se os de que:

-Um gênero (ou uma identidade sexual) é superior a outro.

-Mulher e homem são profundamente diferentes (mesmo além de diferenças biológicas), e essas diferenças devem se refletir em aspectos sociais como o direito e a linguagem.

-Existem características comportamentais que são intrínsecas a determinado gênero, de modo que todas as pessoas deste gênero as possuem (visto em generalizações como "todo homem é mulherengo" ou "toda mulher ama seus filhos" ou "todo homossexual é gentil").


Diferentes termos podem ser usados para nomear conjuntos de idéias e ações sexistas de acordo com o gênero afetado. O sexismo contra homens é chamado de misandria, androfobia ou feminismo. O sexismo contra mulheres é comummente denominado de machismo, chauvinismo ou misoginia. As formas de sexismo contra GLTB podem ser genericamente nomeadas como homofobia.

É comum que indivíduos promovam atitudes sexistas contra seu próprio gênero e isto torna equivocado declarar que idéias feministas reflitam a posição das mulheres ou que idéias machistas sejam disseminadas pelos homens. A forma como a cultura age no imaginário coletivo permite que seja possível encontrar mulheres que defendam que "lugar de mulher é na cozinha" ou homens afirmando que "marido que não procura trabalho é vagabundo" assim como há mulheres e homens que se contrapõem a tais ideários, indistintamente.

Ideias sexistas bastante populares e quadros relacionados a tais ideias, no Brasil

Apesar das discussões políticas, midiáticas e acadêmicas sobre igualdade de gênero travadas nas últimas décadas, muitas ideias sexistas ainda permeaim a cultura brasileira e explicam parte das diferenças socias, econômicas, ocupacionais e comportamentais entre os gêneros.

Lista de algumas idéias de caráter sexista e de problemas de ordem comportamental, socio-econômica ou jurídica relacionadas a elas:

É dever natural do homem o sustento da família
-evasão escolar precoce de grande parte dos homens, sobretudo nas classes mais pobres, que se veem pressionados a trabalhar para sustentar suas famílias enquanto suas irmãs ou esposas têm maior liberdade para escolherem entre trabalhar ou estudar. Consequente inversão no desequilíbrio educacional relativo a gênero, com as mulheres alçando níveis educacionais mais altos que os homens, em média.

-sobrecarga ocupacional masculina (25% dos homens brasileiros economicamente ativos trabalham mais que 49 horas semanais contra apenas 12% das mulheres na mesma condição.

Mulheres devem ser responsáveis pela casa
-alto percentual de mulheres sem ocupação econômica, embora já se concentrem neste gênero os mais altos índices de formação educacional e profissional

As mães são mais importantes na formação dos filhos que os pais
-baixíssimo índice de decisões judiciais favoráveis a que a guarda de filhos de casais separados seja dada aos pais ou seja compartilhada entre pai e mãe

Homens não choram/ homens devem ser fortes / homem que apanha de mulher é frouxo 
-menor procura de indivíduos do sexo masculino por atenção médica em comparação às mulheres

-resistência de índivíduos do gênero masculino em prestar queixa contra suas parceiras quando estes vêm a ser vítimas de violência doméstica

Trair é da natureza masculina (mas não da feminina)
-atitudes masculinas violentas, muitas vezes originando crimes de agressão ou contra a vida, quando de suspeita ou constatação de infidelidade conjugal

-rejeição social percebida por mulheres que traem seus companheiros, ao contrário do que ocorre aos homens infiéis.

-contaminação de mulheres casadas por doenças sexualmente transmissíveis contraídas por seus maridos.

As mulheres são mais frágeis (ou inocentes)
-predisposição do judiciário a minimizar o papel de mulheres criminosas e a aplicar sobre elas penas mais brandas.

-exclusão "a priori" das mulheres de determinados campos profissionais.

Gays são promíscuos/não conseguem controlar seus impulsos sexuais
-maior dificuldade de homossexuais em adotar crianças

__________________________________________________________
Para saber mais: Sexismo e Misoginia
Duas matérias interessantes sobre o assunto no Corporativismo Feminino e no Liberal Libertário Libertino 

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sobre Gays e religião

"Você pode ser deputado crente ou padre pitboy, pode ser simpatizante ou skinhead, pode ser presidente do Irã ou suplente do PTC, grandes coisas, azar o seu, a sexualidade alheia continuará a não ser da sua conta. O pessoal vai continuar deitando e suando e trocando saliva enquanto você desperdiça os seus perdigotos uivando indignação pelas esquinas.

Aí, numa desesperada tentativa de não admitir que seu julgamento moral é inútil, você joga uma bomba. Você pode até matar alguns indivíduos. Ferir outros. Emperrar a vida de muitos. Vãs tentativas de ter importância, pois não vai, jamais, impedir que o mundo gire, a lusitana rode e as pessoas se deitem com quem quiserem, como quiserem. Seu julgamento moral e sua opinião, quaisquer que sejam, serão para sempre da mais profunda desimportância."

(João Ximenes Braga)

Mais AQUI

Senado da Argentina aprova casamento gay

Do G1

Depois de 14 horas de discussão, o Senado da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (15/07) a lei que autoriza o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo no país. A decisão transforma o país no primeiro da América Latina e décimo país no mundo a autorizar casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois de Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal e Islândia.

Um dia antes do debate no Senado, a Igreja fez uma concentração em frente ao Congresso como encerramento de uma ampla campanha contra a iniciativa impulsionada pela consagração por lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, à qual definiu como "um projeto do demônio".

A iniciativa para consagrar por lei os casamentos entre homossexuais, cujo alcance será geral, contempla reformar o Código Civil, alterando a fórmula de "marido e mulher" pelo termo "contraentes" e prevê igualar os direitos que os casais heterossuais têm, como a adoção, a herança e benefícios sociais.

"Hoje é um dia histórico. Pela primeira vez na Argentina se legisla para as minorias", afirmou o senador Miguel Pichetto, chefe do bloco do peronismo.

Ao apoiar a nova norma, o chefe do bloco da oposição radical, Gerardo Morales, afirmou que "chegou a hora de sancionar normas que se adaptem a novos modelos de vínculos familiares" e recordou a existência de "modelos de famílias diferentes (aos) que tínhamos há 30 ou 40 anos".

Centenas de manifestantes que aguardavam o resultado diante do Parlamento na fria madrugada desta quinta festejaram a votação, que apoiou uma decisão da Câmara de Deputados aprovada há algumas semanas.

O projeto de casamento entre pessoas de mesmo sexo dividiu a sociedade, que se expressou nos últimos dias em manifestações a favor e contra a lei, e em fortes polêmicas entre o governo de Cristina Kirchner e a Igreja católica.

A forte ofensiva da Igreja contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo abrangeu a mobilização de estudantes de escolas particulares católicas para a marcha em frente ao Congresso, bem como sanções a clérigos que não compartilharem da postura da hierarquia.

A presidente Kirchner, de visita oficial à China, se colocou à frente das demandas da minoria homossexual, apesar de o projeto ter sido uma iniciativa do opositor socialismo, e criticou a autoridade católica por convocar uma "guerra de Deus" contra o reconhecimento do casamento homossexual.

A aprovação pelo Senado argentino pode influenciar a legislação brasileira, onde projetos sobre o tema tramitam há pelo menos 15 anos, acreditam ativistas que defendem a causa no país.

“É uma decisão que tem um efeito fantástico num país em fronteira com o nosso. Tanto quanto o Brasil, a Argentina tem uma influência religiosa muito severa e conseguiu chegar lá. Acho que vai fazer nosso legislador rever seus conceitos. Ele não gosta de ver que nossa legislação está em descompasso”, acredita a desembargadora Maria Berenice Dias, uma das pioneiras na defesa de direitos homossexuais no país.

Presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLGT), Toni Reis também acredita que a decisão do país vizinho deve repercutir no Brasil, assim como ocorreu com países europeus. Ele lembra que os dois candidatos à frente na disputa presidencial em outubro, Dilma Rousseff e José Serra, já se pronunciaram favoráveis à união civil de pessoas do mesmo sexo.

O projeto de lei em discussão na Câmara foi reunido a outro, de 2007, de autoria do deputado Clodovil Hernandes, morto em março de 2009. Antes deste, outra proposta, da então deputada Marta Suplicy, apresentada em 2005, nunca chegou a ser votada no plenário por falta de acordo entre líderes.

Um dos autores do projeto de lei atual sobre o tema que tramita na Câmara, o deputado José Genoino (PT-SP) diz ver um clima favorável para a aprovação da união civil no Brasil até o final deste ano. “Tenho conversado com os deputados e tem aumentado a receptividade com o projeto”,.Para Genoino, o Congresso brasileiro pode ficar com a pecha de “conservador” caso não siga o exemplo argentino e de outros países. “Na prática, isso já está acontecendo na lei. Temos dez decisões de tribunais federais reconhecendo a união de pessoas do mesmo sexo. A Caixa Econômica Federal já a reconhece para aquisição de imóveis, tem uma ação da Procuradoria Geral da República questionando o Supremo“, cita.

A proposta atual, que ainda deve passar por duas comissões da Câmara antes de chegar ao plenário, prevê a união civil, mas exclui do texto termos polêmicos como “casamento” e “adoção”. Segundo Genoino, esta foi a forma encontrada por deputados e ativistas dos direitos gays de evitar uma maior rejeição do projeto por outros parlamentares e a Igreja.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Projeto de lei quer proibir adoção por casais homossexuais

Do G1

Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional pretende proibir de forma explícita a adoção por casais homoafetivos ou homossexuais - dois homens ou duas mulheres. A legislação brasileira atual não fala em orientação sexual para a adoção. A Justiça é a responsável por decidir cada caso.

Em abril, o Superior Tribunal de Justiça permitiu que um casal de mulheres adotasse duas crianças, no Rio Grande do Sul. A medida trouxe esperança a casais homossexuais. O Cadastro Nacional de Adoção tem mais de 5,2 mil meninos e meninas que sonham em deixar os abrigos do país.

A justificativa para o projeto de lei é que casais do mesmo sexo não formam uma família e a união causaria constrangimentos às crianças.

“Qual a criança que não sofreu preconceito na escola? Por ser negra, usar óculos, ser alto, baixinho. As crianças vão ter preconceito e isso nós vamos ter que trabalhar”, diz Tony Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros.

Muito mais AQUI 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Moção de repúdio contra apresentador de TV

ví no Rigon

Durante a 4ª Conferência Municipal da Mulher, realizada sexta e sábado últimos, foi aprovada uma moção de repúdio contra o comunicador Léo Junior, da RICTV (Record), que apresenta o programa Balanço Geral. Durante o programa, ele teria desrespeitado uma mulher, vítima de tentativa de homicídio praticada pelo ex-genro, justificando que o cidadão deveria ser solto por ser “trabalhador” e porque a tentativa foi contra a sogra. O tiro passou de raspão pela cabeça da mulher, que teve a orelha mutilada.
No vídeo mostrado no evento, organizado pelo Conselho Municipal da Mulher e pela Secretaria da Mulher de Maringá, o apresentador chega a levar uma orelha de borracha para “repor” a da mulher, isso tudo em meio a gargalhadas, dizendo que no estúdio todos estavam “com pena era do rapaz” e que depois de solto ele deveria ir, com a orelha de borracha, conversar com a mulher, e que selariam as pazes com ela lhe preparando uma macarronada.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Solidariedade

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário



Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei

Agora estão a levar-me
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.



Bertold Brecht (1898-1956)