sábado, 23 de julho de 2011

Abrindo o coração !!! (ou O Homem que não sabia amar)

"Por onde andei enquanto você me procurava ? 
E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada."
(Por onde andei - Nando Reis)



"Voe por todo o mar, e volte aqui
Voe por todo o mar e volte aqui
Pro meu peito."
(O Vento - Jota Quest)



Eu sempre soube o quão maravilhosa você é, grande amiga, orgulho de filha, irmã dedicada, esposa amorosa, prestativa, carinhosa, linda, gostosa, mulher batalhadora, inteligente, isso sem falar do ponto que acho principal em você, e o que mais admiro, um caráter único. (Espero aprender principalmente isso com você). E agora descubro também como você pode ser generosa... e paciente.

Tivemos uma VIDA de grande intimidade sim senhora. Houve pedras, reconheço, mas nego essa versão cinza-grená, editada apenas com os piores momentos, só com sangue e vísceras e lágrimas e mágoa. Trago gravado na minha retina momentos de companheirismo, de ternura, de carinho no cabelo, de planos, de erros mas também de acertos, vitórias e derrotas, surpresas, risos...

É.... a saudade mata a gente loirinha !!!

Preciso destacar os amigos, grandes amigos, incríveis, inesquecíveis, insubstituíveis, que o tempo deixou pelo caminho e que agora fazem tanta falta.

Eu sei, esses foram momentos coloridos que você proporcionou para mim, sem a devida contra-partida de minha parte. Fica fácil enxergar beleza quando não se tem lágrimas nos olhos. Pra variar, concordo com você nisso também.

Mas você, coração magoado, porém justo, concordará comigo que EM NENHUM MOMENTO EU NEGUEI NINHA INTEGRAL PARCELA (?) DE CULPA com relação a essa desgraça que se abateu sobre nosso casamento. Não discuto isso. É ponto pacífico.



Mas fica a pergunta: Que tipo de idiota perde TUDO isso ?. Porque eu não cuidei e não valorizei tamanho TESOURO que é você ? Porque eu não reguei a plantinha ? Porque ?

Agora eu sei.

Apesar de conhecer você como ninguém, apesar de REALMENTE AMAR VOCÊ COMO NINGUÉM JAMAIS SERÁ CAPAZ DE AMAR, apesar de ter uma visão clara de todos os seus predicados, o que me faltava era ME AUTO CONHECER A MIM MESMO, entende !? (Pleonasmo não devia ser pecado!)

Eu não tinha idéia do quanto EU AMO VOCÊ.

Não ria, mas milagres ainda acontecem.

Te agradeço por ter me feito enxergar isso. Você fez tanto por mim durante todo esse tempo que vivemos juntos e até agora, me fazendo sofrer tanto, você ainda me dá alguma coisa. Eu não sabia o quanto eu amava você, e por mais lugar comum e canalha que isso possa aparecer, agora, na merda, comendo o pão que o diabo amassou com a bunda, só agora eu vejo O QUANTO EU AMO VOCÊ.

Ines é morta !? Talvez.

A grande diferença, Fabíola, e digo isso olhando nos seus olhos, mas mirando sua alma (e desejando sua boca), é que agora, depois desses 71 dias de calvário, eu restabeleci inúmeros relacionamentos. Retificando alguns, ratificando outros, o fato é que hoje eu sou alguém diferente em diversos aspectos, mas sobretudo nos relacionamentos. Aqui estou eu, rabinho entre as pernas, na humilde, pedindo colo para pessoas que, assim como você, me amam muito mas foram negligenciados por mim por muito tempo.

A diferença é que Pai não pede separação. (mãe acho que sim... mas essa é outra história).

Essa ênfase nos relacionamentos inclui esse difícil convívio diário do Marcos com o Daniel, as vezes tão antagônicos, tão diferentes um do outro. Mas tem sido bacana.

Vou terminar agora. Atenção

Te amo, já concordamos sobre isso. Outro ponto pacífico.

A GRANDE DÚVIDA que fica é se serei capaz de ser o HOMEM QUE VOCÊ MERECE.

A resposta é SIM.

Mas o que mudou, Marcos ?

É que hoje eu sei o quanto eu amo você. Não adianta você saber o valor da pessoa que está ao seu lado se você não sabe que você a ama. E hoje eu sei, e como sei. E você também sabe que ninguém te ama como eu.

E tem mais. Eu fiz as pazes comigo, eu me perdoei por todo o mal que eu fiz a você, meu tesouro, e extensivamente a mim mesmo.

Eu errei, eu sofri, mas encontrei a resposta.

Agora eu estou pronto para o novo. Produzindo, vivendo, te amando e esperando, pelo tempo que for.

E quando você me perdoar, e estiver pronta para o novo, é só você estalar o dedo, que o nosso futuro começa.


"E nossa história não estará pelo avesso assim, 
sem final feliz. Teremos coisa bonitas pra contar.
E até lá vamos viver, temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás, apenas começamos
O mundo começa agora. Apenas começamos."
(Metal contra as nuvens - R. Russo)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Carta ao meu pai.

Primeiro quero dizer que tenho passado dias importantes. Coisas impressionantes, positivas e negativas, tem acontecido. Nunca conversamos, eu e você, sobre muitas coisas, mas estou ansioso em encontrá-lo pessoalmente para compartilhar tudo de bom e de ruim que tem acontecido na minha vida. Confesso que os últimos 10 dias foram provavelmente os mais intensos de toda a minha história.

Nesses dias tenho lutado com uma determinação nunca antes vista nestes meus 37 anos de vida. Pode parecer um pouco tarde pra isso, mas o tempo de lutar é agora. Tenho lutado por algo que é muito importante para mim e essa luta tem me transformado rapidamente. Posso dizer sem medo de errar que não sou o mesmo de dias atrás.

Mas a luta tem deixado marcas e feridas, e mortos pelo caminho. Se estou mais maduro, mais disciplinado, mais concentrado e muito mais otimista com relação à vida, também estou ferido e magoado. E magoado, talvez, da pior magoa possível, de uma magoa comigo mesmo. Preciso fazer as pazes comigo... mas essa ainda é uma longa estrada.

Hoje, passando pela mesma situação pela qual você passou 20 e tantos anos atras, minha memória me permite avaliar o fantástico esforço que você empreendeu, na época, para reduzir, na medida do possível, todo o trauma que uma separação poderia acarretar a dois menininhos de 10 e 15 anos. Hoje lhe sou grato também por isso. Você preencheu com dedicação todas as lacunas de minha infância. Carinho, pulso e sobretudo amor. Obrigado



"A lição mais valiosa que tiro (...) 
é que precisamos cuidar de quem amamos."




Obrigado também por ter feito questão de investir em minha educação, me mantendo, a duras penas, em uma das melhores escolas da cidade. Ainda hoje colho frutos disso.

Me arrependo de muitas coisas que fiz até aqui, mas principalmente do que deixei de fazer. Deveria ter me aproximado mais de vocês todos. Da minha mãe Eliana, do meu irmão e de minhas irmãs queridos e principalmente de você. Agora sinto o peso de ter saido daí da forma como saí, meio pela porta dos fundos.

Me lembro da meninas ainda muito pequenas, a casa sempre animada, muitas crianças, primos, sobrinhos, tios e tias, e eu, então com apenas 16 anos e já muito chato, fechado em meu quarto ouvindo minhas músicas e evitando justamente o convício que hoje me faz tanta falta.

Perdi uma fase importante da vida das minhas irmãs, de modo que agora não tenho nem muita intimidade para conversar com elas. Gostaria de falar e ouvir o que elas tem a dizer, pedir conselhos. Ter longas conversas com a Anadir nessa nova fase de sua vida, poder compartilhar mais de perto suas vitórias. Poder rir com a juventude da Heloísa e me deliciar com o jeito acolhedor da Fernanda. Todas herdaram o brilho da mãe. Poder dizer que as amo, todas as quatro, e muito. Dizer que estou aqui, como irmão mais velho, para o que der e vier. Não sei que opinião elas tem a meu respeito. Mas preciso que elas saibam que tenho pensado muito nelas esses dias de solidão. Estou chorando agora, mas isso tem sido bem comum nesses dias.

O que dizer do Junior então. Tenho fotos de minha infância com ele e tenho me debruçado sobre essa infância demoradamente, tentando entender essa estrada que me trouxe até essa encruzilhada. Gostaria de sentar ao lado dele agora, para lembrarmos do Pé de araçá da casa da Dona Carmem, do carrinho de controle remoto, das briguinhas bobas. Me lembro que eu, sempre com a saúde frágil, tinha inveja dele por praticar esportes, empinar papagaio, jogar pião e principalmente por lavar o carro, com direito a uma voltinha depois. Eu o admirava muito, mas a vida nos separou muito cedo. Gostaria de poder ligar pra ele e, superando a angustiante falta de assunto, compartilhar essa sua experiência de ser pai e o bem que, imagino, isso esteja fazendo para todos os três.

Nunca senti falta da minha mãe, e se disser que estou sentindo agora estarei mentindo. Desisti dela faz tempo, algum tempo depois dela ter desistido de mim. Mas não há tempo para mágoas. Prefiro acreditar em alguém que tentou ser mãe, mas não levava (ou leva?) o menor jeito pra isso.

A Eliana tem sido uma Mãe espetacular. Madrasta é uma palavra carregada de preconceito. Se minha vida tivesse sido madrasta teria sido muito melhor. Dedicação e paciência sem ter obrigação disso. Junto com meu pai, exemplo e referência de dedicação e amor à familia. Obrigado.

Como já disse coisas fantásticas tem acontecido dentro de mim numa velocidade difícil de acompanhar. Gostaria de estar com todo mundo que amo. A lição mais valiosa que tiro da Grande Tristeza é que precisamos cuidar de quem amamos, porque a indiferença tem conseqüências terríveis, cobra um preço extremamente alto... e a vida prega peças na gente.

Espero que possamos nos ver em breve. Desejo mesmo cuidar melhor de todos que amo, mais ainda vai levar um tempo até me levantar de novo. O tempo agora corre contra mim em muitos aspectos. Quero cuidar de todos mas preciso ser cuidado agora, e essa posição de carência, por ser nova, me é um pouco desconfortável.

Me despeço dizendo que te amo muito, pai, e pedindo perdão pela maneira indiferente como tenho lhe tratado durante toda minha vida, por ter relegado nossa relação a natais e aniversários. Devido a esse comportamento perdi, talvez pra sempre, alguém que era o meu ar e minha inspiração e, repito, aprendi que é preciso aproveitar urgentemente os momentos com quem amamos.




Mas não é fácil fazer as pazes com o passado. 

Do seu filho 

Marcos Daniel 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Minha versão da parábola... (ou Ao Amigo Distante)


Tinha um cara muito muito muito rico que tinha um Camaro amarelo-ovo com banco de couro, mas era ruim que só o cão. E tinha esse outro cara, de nome Lázaro que vivia na merda, mas era super camarada, do bem mesmo, fã do Zeca Pagodinho e tudo o mais.

Morreu o tal Lázaro, o mendigo, e foi pra um lugar bacaninha, com clima ameno, céu aberto sem previsão de chuva forever.

Morreu o rico lazarento e se fudeu, foi pro inferno, também sem chuva, mas um calor de arrancar pica-pau do oco.

Abraçado ao Capeta o rico olha pra cima e consegue ver o ex-mendigo seboso de boa, na sombra, comendo uma tigela de açaí com moranguinho picadinho e melzinho na ilustríssima companhia do próprio Jesus.

Daí o safado, na humilde, pede autorização pros superiores para que Lázaro “(...) molhe a ponta do seu dedo, e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama!”

Mas daí a CCJ do Céu julgou o pedido inconstitucional.

Enfim... se fudeu o Mané. Isso porque ele nem sabe que o filho bateu o Camaro amarelo-ovo dele logo depois do enterro.

(Lucas, Cap. XVI, v. 19-31.)

_______________________________________________________

Nota 1) Eu, no caso, sou o rico. Tô fudidaço!!! A diferença é que eu sei que tão zoando meu Camaro.

Nota 2) Hoje recebi um email de uma amigo que não vejo faz 20 anos. Era Lázaro molhando a ponta dos dedos e refrescando minha lingua.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A Bala e o Festim


I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a star In somebody else's sky.
But why, can't it be mine !?
(Black - Pearl Jam)

Afirmo com convicção, e assumindo o risco da execração, que a separação é pior do que o luto. 

Porque o luto, por pior que seja, é um ponto final. O luto não dá margem à esperança. 

No luto há apenas dor, saudade, talvez revolta, uma tristeza abissal, com certeza, mas não esperança. 

Na separação fica esse resíduo persistente da esperança, sempre uma "mas", um "talvez", um "será!?", uma dúvida. 

É o celular que toca, a batida na porta, uma voz chamando seu nome, tudo é pretexto pra acordar a esperança.

Mesmo depois da frase "conheci outra pessoa" a esperança persiste, latejante. 

Mas por favor, não estou aqui reclamando da esperança. 

Quem ousará retirar das mães dos desaparecidos, daquelas que não puderam enterrar seus filhos, a companhia silenciosa da esperança.

Se a esperança é tudo que a vida me reserva, fico com ela. 

Tirarei ela pra dançar, tomaremos uma garapa em frente à Catedral nas noites de insônia. 

Ela ouvirá minhas histórias e lembranças. 

Riremos juntos para, depois quem sabe, morrermos abraçados à saudade.

Enfim, entre o som do disparo e o impacto da bala, SEMPRE haverá a esperança de um festim.

É a vida que segue... ou não !?

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Valsa Brasileira___chico buarque / edu lobo



Valsa Brasileira___chico buarque / edu lobo

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti corria contra o tempo
Eu descartava os dias em que não te vi
Como de um filme a ação que não valeu
Rodava as horas pra trás, roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho pra encostar no teu

Subia na montanha
Não como anda um corpo mas um sentimento
Eu surpreendia o sol antes do sol raiar
Saltava as noites sem me refazer
E pela porta de trás da casa vazia
Eu ingressaria e te veria
Confusa por me ver
Chegando assim mil dias antes de te conhecer

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Renato Russo e Legião Urbana inspiram novos filmes nacionais


Em breve, uma Brasília diferente da exibida diariamente nos telejornais ganhará as telas dos cinemas brasileiros. Dois longas-metragens baseados na obra da banda Legião Urbana e na vida de seu vocalista, Renato Russo, além de um documentário sobre o rock brasiliense na década de 1980 prometem jogar luzes sobre um dos momentos mais instigantes da música popular brasileira e atrair um olhar diferenciado para a capital do país.

O cineasta Vladimir Carvalho garimpou em seu arquivo pessoal as imagens que utilizará no documentário Rock Brasília – Era de Ouro. Entre as muitas cenas históricas captadas pelo próprio documentarista há imagens como as do último show da Legião Urbana em Brasília, realizado em 18 de junho de 1988, no estádio Mané Garrincha, ocasião em que um quebra-quebra deixou centenas de feridos.

Dirigido pelo cineasta brasiliense René Sampaio, o longa-metragem Faroeste Caboclo se inspira na famosa canção sobre a saga do “aprendiz de carpinteiro” João de Santo Cristo no Distrito Federal (DF), onde ele se torna “bandido destemido e temido” antes de conhecer Maria Lúcia, “uma menina linda”, a quem ele promete seu amor.

As principais cenas estão sendo filmadas na Cidade Ocidental (GO), a cerca de 40 quilômetros do centro de Brasília. As ruas do município goiano retomam as de Ceilândia no final da década de 1970 – cidade do DF onde, na letra da música, ocorre o duelo mais conhecido do rock nacional. A expectativa é que o filme seja lançado ainda este ano.


Com Fabrício Boliveira e Isis Valverde nos papéis de Santo Cristo e Maria Lúcia, o elenco conta ainda com Felipe Abib, Antonio Calloni e um grande número de figurantes. Segundo o produtor Marcello Maia, além de quatro estudantes de cinema de uma universidade local, a produção empregou mais de uma centena de profissionais brasilienses, gerando empregos diretos e indiretos. E irá surpreender quem acha que Brasília se limita aos cartões-postais do Plano Piloto.

Outra produção a se apropriar de uma canção da Legião Urbana, Somos Tão Jovens é dirigida por Antonio Carlos da Fontoura. O filme trata da adolescência de Renato Russo, fase em que, devido a uma doença óssea rara, o futuro ídolo tinha de permanecer em casa, lendo e sonhando com o sucesso. Muitas das suas canções que mais tarde se tornariam conhecidas começaram a ser compostas neste período.





Fonte: Vermelho

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Apelo___dalton trevisan

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

Aaron Lewis - Black (Pearl Jam)

"...I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a star
In somebody else's sky,
But why, why, why
Can't it be, can't it be mine..."


quinta-feira, 9 de junho de 2011

3porcento

A história é simples. Em um futuro próximo, o mundo seria dividido em dois lados, um bom e um ruim. No “lado bom” há uma vida próspera, com curas para doenças, bons trabalhos e boa remuneração. No “lado ruim”, todos vivem de serviços e ganham mal, sofrem. Ao chegar aos 20 anos, as pessoas do lado ruim podem tentar entrar para o “lado bom”, mas só 3% conseguem (sacaram o nome?). A série conta a história de alguns postulantes ao “lado bom”, e as perigosas provas que enfrentam.

É uma metáfora simplória do vestibular. No mundo real, apenas 3% dos brasileiros conseguiam completar um curso universitário. Mas a série não deixa de ser interessante, e provoca curiosidade por uma possível continuação. Pelo menos a produção é bem cuidada, e os atores, desconhecidos, não decepcionam.



Veja também o Episódio 2 e o Episódio 3.

Fonte: Revista Época.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Oswaldo Montenegro - Metade

Desde a minha adolescência eu sempre ADOREI esse texto,
e esbarrei com ele várias vezes ao longo da vida.
Mas jamais poderia imaginar que um dia ela faria tanto sentido.






Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pitanga em Pé de Amora

Diego Casas - violão e voz
Daniel Altman - violão 7 cordas e voz
Ângelo Ursini - saxofone, clarinete e flauta
Gabriel Setúbal - trompete, violão e voz
Flora Poppovic - percussão e voz

O grupo paulistano Pitanga em Pé de Amora é formado por 4 rapazes e uma moça, idade média 24 anos, com um trabalho 100% autoral. Influenciados por gente do porte de Guinga, Tom Jobim, Chico Buarque, Paulo César Pinheiro e Pixinguinha, os cinco amigos de adolescência, compositores e intérpretes, apresentam um frescor a canção popular com seus instrumentos acústicos. Ângelo Ursini (saxofone, clarinete e flauta), Daniel Altman (violão 7 cordas e voz) e Gabriel Setúbal (trompete, violão e voz) se revezam nas composições do grupo que tem Diego Casas (violão e voz) como letrista oficial. E, Flora Poppovic, além da percussão precisa, principal intérprete, dá o toque feminino à banda com sua linda voz. Os arranjos se resolvem sempre de maneira coletiva – sambas, choros, frevos e canções fazem parte do repertório. A revista Época SP (set/10) elegeu o Pitanga como a “melhor banda nova” e a revista Marie Claire (mar/11) cita o grupo como “ótima promessa da música brasileira”. O cd de estreia, gravado no Espaço Cachuera! no segundo semestre do ano passado, foi disponibilizado na internet assim que ficou pronto – integral e gratuitamente – no site www.pitangaempedeamora.com.br, e continua lá. Sucesso de crítica, a turnê oficial de lançamento do cd se iniciou com show no Auditório Ibirapuera, dia 08 de maio, com casa lotada em pleno Dia das Mães. O Pitanga participou também recentemente de programas de rádio (CBN, Eldorado, Jovem Pan, USP FM, Cultura Brasil, etc.), do programa Sr. Brasil/TV Cultura, de Rolando Boldrin, e do programa Estúdio i (GloboNews).

Download integral e gratuito do cd no site da banda: www.pitangaempedeamora.com.br


domingo, 29 de maio de 2011

Geni e o Zepelim

Letra: Chico Buarque
Interpretação:Maria Eugênia
Violão:




De tudo que é nego torto do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos, das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato

E também vai amiúde com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade e é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um, maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante, entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios, abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia

Quando vi nesta cidade tanto horror e iniqüidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama se aquela formosa dama
Esta noite me servir

Essa dama era Geni, mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um, maldita Geni

Mas de fato, logo ela, tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso, tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro

Acontece que a donzela, e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre, tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia a cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai Geni ! Vai com ele, vai Geni !
Você pode nos salvar, você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um, bendita Geni

Foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante, entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco

E ele fez tanta sujeira, lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado

Num suspiro aliviado ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia e a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni ! Joga bosta na Geni !
Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um. Maldita Geni !

domingo, 8 de maio de 2011

E Drummond responde...

Os Ombros Suportam O Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, 
as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.



Os versos acima foram publicados originalmente no livro "Sentimento do Mundo", Irmãos Pongetti - Rio de Janeiro, 1940. Veja que isso foi publicado 70 anos atrás e já podemos ver os mesmos conflitos do homem hodierno.

sábado, 23 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Bullying também ocorre no ambiente de trabalho


Depois de muito esforço, a jovem, que antes só tinha o ensino médio, conseguiu ingressar na faculdade, graduar-se e finalmente conquistou uma promoção no trabalho. O que era para ser motivo de comemoração acabou virando um pesadelo. Ela foi literalmente perseguida por "colegas" de trabalho - inconformados pelo fato de ter sido promovida, com menos tempo de empresa do que outros.

Na opinião do psicólogo Fernando Elias José (que relatou este episódio lamentável sem citar o nome da pessoa e da empresa), a jovem perseguida foi vítima de bullying e, embora seja mais comum ouvirmos falar de bullying em casos de desrespeito entre alunos em colégios, o termo também se encaixa muito bem para traduzir o conjunto das mais diversas formas de humilhações repetitivas e intencionais que muita gente acaba sofrendo, calada, no mundo corporativo.

De acordo com Elias José, o "bullying empresasarial" pode se caracterizar como uma forma de preconceito que se caracteriza, muitas vezes, de maneira sutil ou até mesmo grosseira. As pessoas são excluídas e rechaçadas pelos colegas ou pelos seus superiores".

Consequências

As consequências, considera Elias José, são muito ruins, pois quem sofre bullying geralmente não consegue estabelecer bons vínculos afetivos e sociais. Conforme relata o psicólogo, as vítimas podem acabar ficando sozinhas, não crescem profissionalmente e nem mesmo pessoalmente.

Os apelidos e os estigmas criados com as práticas de humilhação no ambiente de trabalho tardam a serem esquecidos e o conselho para que isso não persiga a pessoa durante toda a sua vida é procurar ajuda de psicólogia e/ou psiquiatras.

"Se a pessoa não se tratar psicologicamente poderá sofrer, pois quem geralmente sofre de bullying são pessoas frágeis, com autoestima baixa, ansiosas, retraídas, mais quietas e isso pode ser superado com um tratamento adequado. Dessa maneira, há a necessidade de mudança para os comportamentos não se repetirem", conclui Elias José.

Todo Mundo é Bipolar ?


O Transtorno Bipolar do Humor tem sido cada vez mais comentado nos dias atuais. Até mesmo pessoas leigas em conversas informais têm dito: “- O fulano deve ser bipolar, cada hora ele está de um jeito! ”

Variações de humor ou mudanças de comportamento não são sinônimos de bipolaridade. Os seres humanos estão a todo momento sensíveis aos estímulos do ambiente e também a variações químicas normais do próprio organismo enquanto estão vivendo o seu dia-a-dia. Portanto é inevitável que o humor esteja sempre mudando.

No entanto quando poderíamos chamar estas variações de humor de Transtorno Bipolar? Primeiramente é importante frisar que geralmente há uma alteração emocional profunda e persistente no comportamento do indivíduo. O bipolar é assim chamado porque tem 2 pólos principais, um na euforia(tecnicamente chamada de Mania) e um na Depressão. Nem sempre as 2 fases ocorrem tão claramente.

O conceito de euforia geralmente é confundido com um estado de “alegria”. Na verdade se caracteriza por um estado de excesso de energia, que pode se converter em agressividade, agitação e muita impulsividade. Quadros mais graves podem apresentar comportamento sexual inadequado, questões de grandiosidade e podem incluir até mesmo sintomas psicóticos nas crises agudas. A sensação de diminuição da necessidade de sono também costuma ser marcante.

A depressão é diferente de uma tristeza momentânea ou de alguns dias, é um quadro de desânimo persistente, ás vezes acompanhado de choro fácil e pensamentos negativistas e pessimistas, chegando em alguns casos a idéias de morte.

O médico psiquiatra Dr. Akiskal recentemente propôs uma nova classificação com diversos tipos e graus de bipolaridade, o que tornaria ainda mais polêmica a generalização do Transtorno Bipolar do Humor. Esse conceito ainda não é oficialmente utilizado.

Portanto é fundamental que antes de qualquer pessoa lançar diagnósticos ao vento em meio a uma roda de bate-papo, conheça bem o que está dizendo. Até mesmo porque a pessoa a quem você se refere pode mesmo ser um bipolar e neste caso a melhor forma de lidar é levar informação e por vezes oferecer ajuda, mas nunca rotular e tratar com preconceito.




Equipe Médica Dr. Paulo André Issa
PNAP Neurociência & Psiquiatria
Cérebro & Bem Estar

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fusos Horários

Para entender o que são fusos horários é importante, antes, conhecer e compreender as coordenadas geográficas, uma rede de linhas imaginárias denominadas paralelos e meridianos, traçadas sobre o globo - e cuja finalidade é permitir a localização de qualquer ponto na superfície terrestre.

O paralelo máximo é a linha do Equador, que divide a Terra em duas porções iguais: o hemisfério norte e o hemisfério sul. Sobre cada um desses hemisférios podemos traçar infinitas linhas paralelas ao Equador. Essas linhas são identificadas por sua distância em relação ao Equador, medida em graus. Essa distância é o que chamamos de latitude, que pode variar de 0o a 90o, tanto para norte quanto para sul.

Já os meridianos são todas as semicircunferências traçadas de forma a ligar os dois pólos da Terra. Todos os meridianos têm o mesmo tamanho e qualquer um deles pode ser utilizado para se dividir o planeta em duas porções iguais: hemisfério ocidental (a oeste) e hemisfério oriental (a leste). Contudo, como meridiano de referência (0o), convencionou-se adotar, internacionalmente, o que passa pelo Observatório Astronômico de Greenwich, em Londres (Inglaterra).

Assim, os demais meridianos podem ser identificados por sua distância, medida também em graus, em relação ao meridiano de Greenwich. Essa distância é o que chamamos de longitude e varia de 0o a 180o, tanto para leste quanto para oeste.

Como o meridiano de Greenwich é considerado o referencial das longitudes, ele também passou a ser considerado o da determinação de um horário-base no planeta.

Para a localização de um ponto qualquer na superfície do planeta é preciso, então, cruzar um paralelo com um meridiano, ou seja, é necessário conhecermos a sua latitude e a sua longitude.

Fusos horários e suas implicações
Devido ao seu movimento de rotação (movimento da Terra ao redor de um eixo imaginário, que a atravessa de um pólo a outro, no sentido do Oeste para o Leste), a Terra apresenta dias e noites. Como resultado, diversos pontos da superfície terrestre apresentam diferenças de horários.

A determinação da hora parte do princípio de que a Terra é uma circunferência perfeita, medindo 360o, e de que a rotação terrestre dura 24 horas. Com isso, conclui-se que esse é o tempo necessário para que todos os meridianos que "cruzam" o planeta passem, num determinado momento, frente ao Sol.

Dividindo-se os 360 graus da esfera terrestre pelas 24 horas de duração do movimento de rotação, resultam 15 graus. Portanto, a cada 15 graus que a Terra gira, passa-se uma hora - e cada uma dessas 24 faixas recebe o nome de fuso horário.

No interior dessas faixas, por convenção, passou a vigorar um mesmo horário. Essa padronização do tempo ocorreu no século 19, num momento em que o Reino Unido era a principal potência econômica e militar do planeta. Por isso, o meridiano que passava no observatório de Greenwich, então nos arredores de Londres (hoje, dentro da cidade), foi considerado o meridiano zero.

A hora de Greenwich tornou-se a hora universal, no sentido de que é em relação a ela que se determinam os horários em outros pontos do globo terrestre. A leste de Greenwich, as horas aumentam a cada faixa de 15o, variando entre 0 e 12. Ao contrário, a oeste de Greenwich, as horas diminuem, em idêntica variação. O horário de Greenwich também é chamado de GMT, ou seja, Greenwich Mean Time (mean significando "média").

É importante entender que essa padronização facilita as relações internacionais. No interior de um mesmo país, entretanto, esses limites não são tão rígidos. Os países podem estipular seus fusos horários a partir de suas divisões político-administrativas, que podem abranger regiões maiores ou menores do que as faixas de 15o.

Mudanças nos fusos horários brasileiros
No caso do Brasil, que é um país de grande extensão territorial leste-oeste, existem três fusos horários, todos eles atrasados em relação a Greenwich. O segundo fuso horário brasileiro abrange mais de 50% do território nacional, inclusive a capital federal. Ele determina, então, o horário oficial do país, o horário de Brasília.

Os atuais três fusos horários passaram a vigorar a partir da zero hora de 24 de junho de 2008, determinada pela Lei nº 11.662, sancionada pelo governo federal em 24 de abril de 2008.

Essa lei reduziu de quatro para três o número de fusos horários usados no Brasil. A mudança atingiu municípios nos estados do Acre, Amazonas e Pará. Desde então, os 22 municípios do Acre ficaram com diferença de uma hora em relação a Brasília - antes eram duas horas a menos. Municípios da parte oeste do Amazonas, na divisa com o Acre, sofreram a mesma mudança, o que igualou o fuso dos Estados do Acre e do Amazonas.

A mudança na lei também fez com que o Pará, que antes tinha dois fusos horários, passasse a ter apenas um. Os relógios da parte oeste do Estado foram adiantados em mais uma hora, fazendo com que todo o Pará ficasse com o mesmo horário de Brasília. Observe abaixo, nos mapas, as mudanças ocorridas:

Vale lembrar que o antigo sistema de quatro fusos horários, estabelecido para todo o território nacional, foi instituído por meio da Lei nº 2.784, de 18 de junho de 1913, assinada pelo então presidente da República, Hermes da Fonseca, vigorando no território brasileiro por longos anos.

Tudo isso demonstra a arbitrariedade da nossa forma de medir o tempo, ou seja, o fato de essas medidas serem produto de uma convenção social. Reforça ainda mais essa verdade o chamado horário de verão, medida que se adota em alguns países, com o intuito de economizar energia elétrica.

Pelo horário de verão, adianta-se o relógio em uma hora para se aproveitar um período de tempo em que amanhece mais cedo e anoitece mais tarde, potencializando-se a utilização da luz natural. No Brasil, o horário de verão é adotado desde 1985, entre outubro e fevereiro de cada ano.

(Fonte: UOL Educação - Ângelo Tiago de Miranda é geógrafo, professor de geografia e estudante do curso de Licenciatura em Pedagogia pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Barba bem feita

Da Revista Época

A barba é um resquício da evolução humana com o qual 90% dos homens prefeririam não ter de lidar, revela um estudo da Academia Americana de Dermatologia. Especialmente porque raspar o rosto com lâminas todos os dias está longe de ser um ato natural. A boa notícia é que – segundo os dermatologistas – se podem evitar pelos encravados, alergias e irritações na pele acrescentando cuidados simples ao ato de barbear. Também é possível se valer de avanços da medicina em novos cremes personalizados e até aplicações de laser.

A primeira falha grave e recorrente, revela o estudo, é a falta de higiene, como se vê no quadro ao lado. “O ideal é tomar banho e deixar a barba de molho com sabão”, diz Elizabeth Ross, da Academia Americana de Dermatologia. “O atrito das lâminas expõe os poros a bactérias presentes na própria pele, podendo infeccioná-la.” A pele contaminada é um convite à foliculite – ou pelos encravados, como é conhecida. A foliculite é mais comum no queixo e no pescoço, região do rosto com pelos mais grossos que crescem em vários sentidos. Ela afeta especialmente homens de barba grossa e enrolada – sobretudo quando precisam usar camisa social. O atrito piora ainda mais a situação.

Quem sofre do problema pode amenizá-lo com compressas de toalha úmida e morna antes de se barbear, uma forma de amolecer a barba. Também recomenda-se deixar a espuma agir sobre os pelos por alguns minutos antes de atacar com a lâmina. “Quanto mais flexíveis estiverem os pelos, menor será a agressão à pele”, diz Valeria Campos, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Valeria alerta para o perigo de barbeadores gastos: “Eles raspam a pele e pioram o problema”.

Uma das novidades a ser apresentadas na Men’s Beauty Show, feira de produtos e serviços destinados a homens, que acontecerá em abril, em São Paulo, são os cremes e géis pós-barba. A nova geração tem ação anti-inflamatória e antibactericida, além de incluir na fórmula protetor solar e substâncias cicatrizantes. Estão mais parecidos com a variedade cosmética feminina: há um para cada tipo de pele (oleosa, normal, mista, sensível) e de pelo (grosso, fino, enrolado).

Há também novas técnicas de laser e peeling para barbados descontentes. Com ponteira que toca a pele, o laser consegue efeitos ainda melhores, com menos sessões. Ele está sendo usado para retirar definitivamente os pelos da região do pescoço. “Eu não podia usar camisa social que manchava de sangue toda vez”, diz Ricardo Simões, professor de educação física de uma academia de Jundiaí, São Paulo. Ele acabou com os pelos encravados com quatro sessões de 15 minutos de laser.