segunda-feira, 9 de abril de 2012

O FIM DA HISTÓRIA por Alejandro Carriles


Eu nunca sei quando as estórias acabam. 
Por isso eu sempre fico preso entre uma e outra, 
ou entre nenhuma e nenhuma outra; 
entre um recomeço sem fim e um fim sem término.

Talvez por ser mais espectador, ou coadjuvante, 
do que protagonista da minha vida, 
eu tenha essa enfermidade de não dar conta 
de quando baixa o pano.

As luzes apagam, o público sai, 
os colegas limpam a maquiagem e eu continuo lá: 
com a fala na cabeça, o texto decorado, orgânico, aguardando... 
Aguardando a deixa que nunca vem.

Eu sempre tive medo das coisas e das pessoas. 
Um pavor e uma falta de fé. 
Talvez por isso eu tenha criado 
minha própria companhia teatral, 
onde sou diretor; contra-regra; ator; público.

Enceno só para mim uma tragicomédia.

A realidade me faz tão mal e me deixa tão fraco 
que eu fico no fundo do palco, muitas vezes, 
a sussurrar o texto a mim mesmo.

Às vezes eu não ouço. Quase sempre não ouço, 
porque eu sussurro baixo e minha voz é trêmula...

O público não entende a peça, logo, não aplaude. 
Eu, furioso, demito a todos: 
demito ao autor; ao diretor; aos atores...

Eu expulso o público do teatro e ateio fogo a tudo.

E ali dentro, aqui assim, eu fico dentro, fico eu... 
Eu, junto às cortinas e aos holofotes, 
aos holofotes incandescentes; 
queimando, queimando... 
Queimando!

domingo, 8 de abril de 2012

O Retorno

Em breve estaremos de volta...

Abraços...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Adolescente com doença terminal publica vídeo para se despedir de amigos e família


do G1




Shaun Wilson-Miller, um adolescente de 17 anos, sofre de uma doença cardíaca crônica. Os médicos da cidade de Melbourne, na Austrália, disseram que o menino não tinha muito tempo de vida.

Ao saber da notícia ele decidiu gravar um vídeo e publicar no YouTube para se despedir da família e amigos. 

O corpo de Shaun não está respondendo bem ao segundo transplante de coração, e os especialistas informaram que ele não poderá tentar uma terceira vez. Ao saber da notícia, o adolescente usou a internet para se despedir das pessoas que ama e deixar bem claro que teve uma “vida maravilhosa”.

Oi, pessoal. Eu tenho más notícias para contar”, diz ele, com a voz embargada. O menino fala sobre a doença, e emenda: “Eu não vou estar aqui por tanto tempo quanto pensei. Mas quero dizer que foi um passeio incrível, e não tenho arrependimentos”.

Viva a vida ao máximo, 
porque você nunca sabe o que vai acontecer. 
Eu só quero agradecer a minha família e amigos. 
Por favor, não chorem por mim. 
Eu ficarei bem. Eu peço aos meus amigos 
que se certifiquem de que o meu pai ficará bem. 
Eu sentirei muita saudade. Amo vocês”.

Eu sei que são más notícias, mas também tenho boas. Eu tenho uma namorada, chamada Mary, e estou tão feliz agora, que nada pode me deixar para baixo”.

Shaun se tornou embaixador da instituição Heart Kids aos 13 anos. E tem inspirado diversas crianças australianas desde então. Em 2009, em entrevista a um jornal local, ele falou sobre o desejo de superar a doença. “Eu me mantenho positivo em tudo o que faço, e tudo sai melhor para mim”, disse ele na ocasião.

sábado, 29 de outubro de 2011

O que é Felicidade ?


Hoje me perguntaram o que é felicidade. 

Antes da Grande Tragédia, eu aceitava a simples presença da pessoa amada ao meu lado como suficiente para a minha felicidade. Eu realmente era feliz, e muito, porque tinha ela ao meu lado, independente da condição, estivesse ela feliz ou triste, realizada ou não. A simples presença dela me bastava, me preenchia, me completava, me realizava. Hoje eu olho pra trás e acho isso loucura. Esse modelo de felicidade não me serve mais.

Respondendo no hoje, minha felicidade não se resume mais em simplesmente ter a mulher que amo ao meu lado. Não tenho a pretensão de fazer ninguém feliz, não se trata disso, mas hoje tenho certeza que minha busca pela felicidade passa pela satisfação de colaborar para a realização pessoal de alguém que é especial pra mim. Falo de poder dar condições para que a pessoa que amo se realize como pessoa, esposa, mãe, filha, professora, etc.

Felicidade pra mim então seria olhar nos olhos da pessoa que amo, enxergar felicidade dentro da sua alma e saber que, na medida do possível, faço parte dessa realização.

Que Deus nos abençoe a todos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como Jacó creu, lutou, e não se preocupou



Assim serviu Jacó sete anos por Raquel; e estes lhe pareceram 
como poucos dias, pelo muito que a amava.
Gênesis 29:20


Nós podemos encontrar na Bíblia o exemplo de Jacó, que por 14 anos trabalhou por Raquel, pois muito a amava. Ele poderia ter aceitado a escolha de Labão oferecendo-lhe Lia, a filha mais velha, e por que não? Não é assim que vemos o que muito acontece hoje em dia? Aí vai a minha sinceridade: acho extremamente errado o que as pessoas fazem, querendo ser “cupidos”. Eu não aceito proposta de ninguém, acho que em Gênesis fica claro que devemos lutar pela pessoa certa, e não sair se conformando e aceitando o que todo mundo propõe. Jacó não olhou para o tempo que levaria para ter Raquel, não se preocupou porque teria que trabalhar mais sete anos, mas não deixou de lutar.

Lutar é uma coisa completamente diferente de se preocupar, pois quando eu creio que a minha vida está nas mãos de Deus, então eu confio que Deus tem o controle de tudo, não me preocupo o tempo que vai levar, apenas creio que Deus se encarregará de cumprir o que Ele mesmo colocou dentro de mim.

Se a pessoa ouve a voz de Deus e não deixa se levar pelas emoções, ela vai sempre saber qual será a boa, perfeita e agradável vontade de Deus, não há como se enganar pois o que prevalece é a vontade de Deus. 

A vida sentimental é a área em que mais eu vejo as pessoas caírem, não propriamente dito em pecado, mas porque desanimaram, porque pensaram que seria mais fácil talvez, o primeiro “não” já foi o suficiente para desanimar, deixar de lutar. Eu te digo, se Jacó se conformasse com a proposta de Labão, não teria quem realmente ama, do que adiantaria? Casar-se com alguém, dizer que está feliz, mas lá dentro queria que fosse a outra? Mas lembre-se que digo isso quando a pessoa ouve a voz de Deus, é claro que se a pessoa não quer que a vontade de  Deus prevaleça, sempre vai ser assim, porque nem sempre , ou quase sempre a nossa vontade não é a de Deus.

Você deve lutar sim pela sua vida sentimental, o que você não deve é se preocupar até chegar ao ponto de passar ouvir e aceitar as propostas do diabo, pois ele sabe o que precisamos, ele vê quando a gente ora, ele sabe o que a gente quer, por isso ele tem o mundo inteiro a seu favor, justamente para tentar ofuscar nossos objetivos e sonhos. Não vá na conversa de ninguém, eu não vou! Já recebi sugestões de pessoas que eu “deveria” dar ouvidos, “tentar” que desse certo, mas não sigo nenhuma, se eu não souber o que eu quero, o que vai valer? Do que será válida toda essa minha crença?

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Extraído do Blog Quem Vive Em Mim.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Para viver um grande amor_Vinicius de Moraes







Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.



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P.S.: Eu já achei !!! Oba pra mim !!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Deus trabalhando nos bastidores... e cuidando dos detalhes.

Quando vim pra Maringá, em Abril de 1995, passei a morar na república dos meus "primos", Marilene, Ronni e Marilei. Na época o Ronni cursava Engenharia Civil na UEM e a Marilei Odontologia. Marilene, já formada em Direito, trabalhava como corretora de imóveis e estava sempre atribulada, de modo que acabamos convivendo pouco. Passava mais tempo com o Ronni e com a Marilei. 

Foi uma época bastante turbulenta em minha vida. Nada que se compare às provações que estou passando agora, mas considerando as condições nas quais cheguei aqui, foram dias bastante incertos. Mas por outro lado foi um período de descobertas. Saindo da casa dos pais, vindo pra uma cidade estranha para morar com parentes até então estranhos. Não foi fácil.

Mas hoje, olhando pra trás vejo tudo aquilo com uma certa saudade até. As preocupações eram bem menores e o futuro não estava na ordem do dia.

Mas o que me lembro muito bem é a amizade que estabeleci rapidamente com a Marilei. Talvez porque nós dois nascemos no ano de 19**.... (deixá pra lá!!!), ou talvez por questão de afinidade mesmo (esse negócio de afinidade sempre vai me lembrar o BBB.) Mas o fato é que, já desde aquela época gosto muito dessa minha prima.

Mas eis que a vida nos separou. Houve um "paredão" e eu fui eliminado. Rs rs rs.......



Tenho já, de certa forma, essa dívida com a Marilei. Digo isso porque ela ajudou a tornar essa fase da minha vida bem mais digerível. E olha que ela foi bastante paciente. Naquela época eu era demasiado jovem e não dava muita importância a coisas do tipo... arrumar a cama, lavar a louça, enfim, afazeres domésticos.

Dizer obrigado só não resolveria a questão. Mesmo assim, obrigado, ainda que tardiamente. 

Fiquei muitos anos sem noticias da prima Marilei, limitadas às festas regulamentares, Natal, Ano Novo, alguma formatura e coisas do gênero. Tive a feliz surpresa de revê-la na formatura da Fernanda, mês passado. Conversamos sobre as vicissitudes da vida, casamentos desfeitos e afins. Coisas da vida.

Mas é lógico que não estou nessa onda saudosista e obrigadosista do nada.

Não bastasse essa divida que tenho com ela e, extensivamente com meus outros "primos" (incluindo aqui prima Mariluce.) , eis que agora estou devendo mais alguns barões pra Marilei... e essa vai ser difícil de acertar.

Hoje a Marilei me indicou um filme. "Prova de Fogo". Não sei como descrever tudo o que está acontecendo na minha vida. Deus tem usado recursos e pessoas para falar comigo. Mas desta vez ele me surpreendeu pela precisão. Incrível Ele utilizar tantos recursos pra produzir um filme, aliás muito bem produzido, especificamente para falar comigo. Tô sem palavras !!!

Obrigado Marilei, sobretudo por se colocar à disposição de Deus para abençoar a minha vida. Obrigado pelas conversas que temos tido e, por favor, continue orando por restauração. 

Ora daí que eu oro daqui.

 Beijos pra você e pra Luana...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sobre Amores e Provas


Se é amor tem desencontros. Amar também um contra o outro
E lutar sempre por esse amor, que morre e reascende melhor
Existem provas de amor, provas de amor, apenas provas de amor,
Mas não existe o amor, apenas provas de amor.

Hoje acredito que o amor realmente não acaba, se acabou, nunca existiu. Se existiu, ainda está lá. Mas veja bem, o sentimento Amor não resolve quase nada sozinho. Ele é apenas uma ferramenta, assim como outras habilidades que eu e você temos. O importante é o que cada um produz com essas ferramentas. Conheci ao longo da vida muitas pessoas extremamente inteligentes e habilidosas mas que, sem a atitude correta, não conseguiram construir nada com esses talentos.

Com o amor é a mesma coisa. Existe o amor sentido e existe a aplicação cotidiana dele, que é o amor praticado, e praticado diuturnamente, e isso dá trabalho. O amor exige provas diárias, de hora em hora, de minuto em minuto.

Me lembro de uma situação na minha infância e adolescência que sempre me incomodou. Quando um amigo ou amiga chegava pra mim e fazia aquela chantagem emocional básica: Se você não fizer tal coisa eu vou embora, ou eu nunca mais falo com você.

Quando isso acontecia, eu sempre ficava com a impressão de que minha relação de amizade com essa pessoa só interessava para mim. Para o outro tanto faz a minha presença ou a minha amizade, como se o fato de estarmos ali juntos fosse um favor que ele(a) me prestava. Coisa estranha isso.

Hoje tenho um grupo de amigos que bebe muito, e para eles beber junto é prova de amizade. Pois bem, eu não bebo. Bebi bastante no inicio da crise, mas hoje não bebo mais, e não bebo porque não gosto de beber, só isso. Não tenho nada contra quem bebe, desde que não faça mal a outras pessoas.

Mas por não beber com os “camaras” minha amizade tem sido questionada. Todo fim de semana saímos juntos e eles bebem e todos tem que beber pra provar que se amam (daí vem o termo amigo, aquele que ama). E a amizade, pra esse grupo, se resume a isso: Se bebe é amigo, se não bebe não é.



Essa simplificação do conceito de relacionamento me parece bastante perigosa, mas bem comum hoje em dia. O caráter utilista das relações, do qual já tratei em outro artigo, exige que o tempo todo estejamos avaliando nossas relações, qualquer que seja sua natureza, para sabermos se não estamos “ficando por baixo”, se não estamos dando mais do que recebendo. É triste, mas será que realmente é errado ?

Confesso que por muito tempo, devido à minha formação digamos “humanista”, fui avesso a essa abordagem fria e racional das relações. Quem me conhece a mais tempo sabe que sou bastante impulsivo, sanguíneo, temperamental, enfim, marcas da bi-polaridade. Sempre coloquei os sentimentos à frente da razão, e sempre paguei por isso.

Mas hoje, em face dos últimos acontecimentos, tenho tentado reler essa minha postura diante dos amores. Talvez, e veja que eu disse talvez, o amor incondicional seja realmente um erro. Pra mim amor incondicional sempre foi um pleonasmo, uma licença poética. Por isso confesso que me dá até uma dor no peito dizer uma coisa dessas, mas talvez eu estivesse enganado a vida toda. Talvez seja preciso fé cega e pé atras. 

Será !?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Daí, que é sobre esperança e tempo que falaremos agora...



Adaptado do excelente Blog Tempestade de Idéias de @Beth_Amorim____________________________________________________
"Nos últimos meses disseram-lhe várias [e várias] vezes que só o tempo seria capaz de ajudá-lo a atravessar a tempestade que se abateu sobre sua vida. Disseram-lhe também para ter esperança, pois, com o passar do tempo, as coisas voltariam ao normal(?). 
(...)E, "fã do tempo" como sempre foi, sabia que as pessoas estavam corretas. Percebeu que ele seria seu grande aliado, embora não tivesse muita noção de como essa "aliança" funcionaria... Ou, quanto tempo levaria o tempo para desfazer aquelas nuvens escuras da tempestade...
 (...)

Para ele foi uma eternidade. Um período escuro, cheio de desesperanças, que o sufocou, que o devorou como um bicho carnívoro e faminto devora sua presa enquanto ela ainda está viva. [Lembrando que, enquanto agonizava, a pobre e desgraçada presa sentia cada mordida, cada pedaço arrancado, cada parte de si que padecia diante da fera...] 
Assim foram seus dias. Sentiu todas as dores possíveis. Amargurou-se. Achou que aquele momento seria eterno e que a sua vida fosse ficar encoberta pela escuridão por longos e longos anos... Encheu o peito de tristeza e melancolia. Gritou várias vezes na esperança de aplacar um pouco mais a dor.  Depois de muito agonizar, ela agarrou-se ao tempo e ao amor-próprio para sobreviver. Mesmo dilacerado, percebeu que a vida continuava. Sentiu a esperança brotar novamente dentro do seu ser.
Porém, a "platéia" julgou que isso foi muito pouco. Queriam ver mais sangue na arena. Queriam ver mais lágrimas, mais dores, mais desespero. Queriam que as feridas continuassem abertas e  sangrando a cada cutucada do algoz chamado "saudade". Talvez até quisessem que isso durasse pra sempre... É, talvez.
Por isso, decepcionaram-se tanto com sua rápida(?) cura. Entristeceram-se bastante com sua alegria repentina. Abismaram-se com seu renascimento. Acharam um absurdo sua "ousada tentativa" de sair daquele suplício - mesmo com todas as feridas ainda em processo de cicatrização. 
Mas, enquanto todos espantavam-se, ele não perdia tempo: abraçava a vida, colocava um sorriso no rosto e aproveitava cada um de seus dias. Isto é, ele passou a viver uma vida que era somente dele e de mais ninguém."

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Queria ter forças pra te jogar na parede e fazer passar. Mas não tenho mais.

Adaptado do Dimensões de Júpiter, da @Castro_Julia
Colei aqui só porque tive um dia muito ruim. Mas acabou !!!
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“Não é nada.”
É só vontade de sentar de baixo do chuveiro e esperar passar.
É só vontade de enxergar alguma coisa no espelho.
Porque ”Eu” não significa nada. Acho que pra ninguém.
(...) 
Tenho vontade de uma coisa só: Vontade de viver você. 
Dia que não chega nunca!

“Tudo bem?”
também não significa nada.
Se respondo “sim” pensando em chorar, tem alguma coisa errada.
Se recebo sorrisos amarelos em resposta,
só me resta mesmo é sentar e esperar acabar.
Que seja com tempo ou que seja com o “nada”.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sobre Abraços e Relacionamentos Utilistas



Passado um tempo da tragédia, vejo o quanto os amigos são fundamentais. Mas já felei isso repetidamente no FaceBook. Tenho outras questões ainda a resolver... ou a entender.

Ficamos juntos, eu e a Fabiola, por quase 14 anos. Considero bastante tempo. Ela já deu provas de que esses anos não significaram nada pra ela. Tenho conseguido ficar afastado dela a uma distância que também considero razoável, à pedido dela. Mas confesso que acho estranho isso. Juro por Deus que não entendo porque ela me trata como um leproso. Porque não podemos ser amigos ? Meu Deus, independente do que houve entre nós, sempre e a qualquer tempo, se algum estranho me pedisse um abraço eu jamais negaria. Porque então isso agora !? O mais curioso é que esse comportamento vingativo não combina com ela. Você que esta lendo essas palavras talvez conheça ela também. Será que ela sempre foi assim e eu não via !?

Alguém dirá que isso é "natural". Me disseram que agora sim, depois da separação, eu conheceria de fato quem é a Fabíola. Tenho ouvido inúmeras "receitas" de como agir e de como não proceder. Mas sempre reajo e respondo com a mesma firmesa: Ela é diferente, não vai funcionar. 

Acredito no caráter dela acima de tudo. Vivi com ela por muitos e felizes anos e confio nela. Mas não entendo esse comportamento belicoso. Acreditei que teríamos um relacionamento evoluído em relação aos nossos pais (meus pais e os dela também são separados).

Percebo que hoje em dia em que tudo é descartável, todos os relacionamentos tem esse caráter utilista. Só nos fixamos a um relacionamento, de qualquer natureza, se ele nos trouxer algum "lucro" palpável. Ninguém esta mais disposto a sacrifícios. Isso também é natural, dizem. Fruto dos novos tempos. O Amor, o amorzão antigo perdeu muito do valor.  Dia desses ela me disse que sabe que eu a amo, mas que isso não significa nada pra ela. Coisa triste de se ouvir. 

Fico pensando se ela esta se vingando, se esforçando pra me magoar. Penso que talvez esteja sob influência de alguém. Mas ao mesmo tempo penso que talvez ela também esteja sofrendo com isso. Talvez sofra quando me vê. Não tenho esperança que sofra de saudade ou de amor. Se sofre provavelmente sofre ao lembrar desse tempo que passamos juntos que pra ela foi tão ruim.

Somos muito jovens ainda e espero sinceramente que ela aprenda que não se nega um abraço a ninguém deliberadamente, independente da justificativa.

Acho que a vingança é como um miojo com tang, enquanto o perdão é uma bela lasanha com vinho.

Sigo amando, sofrendo e desejando muito um abraço. 

Reitero meu profundo agradecimento à todos os amigos, de algures e alhures, novos e antigos, meninos e meninas. Obrigado.

T+


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Natal de Doralice



Num ameno domingo de dezembro, véspera de Natal, a dona-de-casa Doralice Carvalho estava sentada na pequena varanda de sua moradia na ruaPedro Soares deAndrade,em São Miguel. Olhao bairro conhecido que já principia a esmorecer de movimento, sossegando no começo da noite. Ao seu lado, também ocupando uma cadeira de plástico branco, seu marido e químico aposentado, Josué Carvalho, faz partedo silêncio. Filhos já criados e casados, os dois já entravam na casa dos 60.

– Dora, qual a cor do vestido que você está hoje?

Fogem os devaneios de Dora. Naquele preciso momento, a mulher pensava numa longínqua data de setembro de 1973, dia de seu casamento. Então, ela responde uma cor qualquer que tinha retida na memória – azul –, que Josué gostava na vida de outros tempos.

Retoma-se o mesmo silêncio de muitos casais antigos. Ela olha em direção às curvas do rio Tietê e, depois, volta para suas antigas lembranças. Numa tarde, estava no Clube da Nitro. Uma fita amarela, que lhe prendia os cabelos, foi o começo de tudo. Quando ela se desprendeu, arrancada pelas mãos ágeis de Josué, os seus cabelos esvoaçaram-se ao vento. Ele acalmou-os, depois desfez o nó do laço e jogou a fita sobre as águas. A fita, então, rodopiou na beira da murada da ponte, caiu, teimou em afundar e ficou boiando.

– O que fiz? – ele se assustou.

Os dois jovens ficaram olhando a fita pegando o rumo da correnteza, até o último momento. Depois, olharam-se parados, sonhando. E riram.

A partir daí, sempre aquela impressão que eram namorados, mesmo. Dora sabia amá-lo. Sorria, sempre, contente. Ele fantasiava histórias, imaginava casos e vestia-os de engraçado. Contava, ria também.

Casaram-se na antiga igrejade São Miguele, durante os cinco dias seguintes, se conheceram mais intimamente num pequeno apartamento emprestado por um colega de trabalho na praia do Gonzaguinha,em São Vicente.

Depois, o dia após dia. Muitas vezes, nalguma tarde, andava apressada – cheia de compras, o dia tão curto –, quase correndo no meio da rua, para esperá-lo. Labutava duro nos cuidados com a casa, mudava, trocava os móveis toda semana de canto. Ele chegava, olhava, aprovava, dizendo bonito. Outros dias, em começos de anoitecer, se assustava em imaginar que aquele seria o instante em que não veria mais o bater do trinco no portão, o limpar de sapatos no capacho, o girar da chave na fechadura. E Dora na sala esperando-o mesmo sabendo que ouviria apenas o seu cansado boa-noite.

Uma noite esperou. Espera fora de costume. Deu para reparar em tudo que era gente que passava na rua. Na cozinha, imaginava ouvir o trinco no portão. Corria à janela, de onde podia vê-lo passar pela varanda. Mas ele não chegava. Então, o trouxeram da fábrica de química. Havia passado a noite no hospital. Ataduras cobrindo-lhe a face, se maldizia:

– Maldito acidente. Onde meus olhos ficaram?

Não se conformava:

– Antes a morte. Sem vista no mundo, pra quê?

Calada, ela ouvia tudo aquilo e sabia que na vida, em muitos de seus meandros, não há caminhos de volta.  Para confortá-lo, sempre respondia:

– Pra tudo tem um jeito.   

Nessa tarde de domingo em que abre suas lembranças no vazio de seu bairro, ela sabe que os móveis, faz muito tempo, permanecem intocados. Mãos espalmadas no braço da cadeira, ela sabe que Josué nunca será o mesmo.

Agora, como faz sempre, ele chama:           

– Dora, me ajuda a ir ao quarto.

Ela desvia o olhar da rua vazia. Levanta. Puxa as sandálias debaixo da cadeira. Chora penosa e limpa as vistas no vestido, que é azul mesmo. Aproxima-se dele e pousa a mão em seu ombro.

Ele levanta seguindo a mulher. Ela guia seu corpo, livrando-o dos baques no sofá, na mesinha de televisão, na porta do quarto.

Junto à cama, ela ajeita o lençol e o travesseiro. Ele senta. Tateia e segura sua mão. Há um sinal de amor antigo e gratidão. Não dá para ver seus olhos.

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Texto de autoria de Roniwalter Jatobá, publicado no Blog da Editora Boitempo.

Oceano




Estou indo meu bem 
Para onde o mar te levar. 
Irei a sua procura, 
Sei que por você vale apena esperar. 
Não medirei esforços para encontrar você. 
A distância não irá mudar o que sinto por ti. 
Espero o mesmo de você... 
Mas o mundo dá voltas e tudo se encontra! 
Sete mares tornam-se pequenos quando falamos de amor.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Se se morre de amor



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Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração – abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores,murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!
Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra
onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d’lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
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(Gonçalves Dias in Se Se Morre De Amor)

Monocromia

"Que me perdoem se eu insisto neste tema 
Mas não sei fazer poema ou canção 
Que fale de outra coisa que não seja o amor 
Se o quadradismo dos meus versos 
Vai de encontro aos intelectos 
Que não usam o coração como expressão 
(...) Mas não faz mal, é tão normal ter desamor 
É tão cafona, sofredor 
Que eu já nem sei se é meninice 
ou cafonice o meu amor."
(Toquinho in Você Abusou)



Sei, caros leitores, que esse modesto Blog se tornou monótono, monocromático, chato talvez... mas não consigo falar, pensar ou agir em torno de outra coisa que não seja a mulher que amo. Espero que vocês compreendam e aguentem firmes... logo logo ela volta e tudo será diferente.

Agradecido !!!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Fulano e Cicrano



"Nada a temer se não o correr da luta. 
Nada a fazer se não esquecer o medo." 
(Maria Eugênia in Caçador de Mim)


Fulano tá com câncer. Nas últimas. desenganado. Decide com a família e os médicos pela Quimioterapia, última esperança desesperada de mais alguns natais. Daí encontra com o "amigo" Cicrano e diz, um tanto otimista, que vai começar a tal quimio amanhã. Pra quê !? Cicrano começa: Rapaz, num faz isso. É perda de tempo. Você vai sofrer à toa. Vai passar mal, dores horríveis, vômitos, diarréia. Seu cabelo vai cair. Tive um amigo que fez e disse que a sensação é que tinha um cachorro comendo ele por dentro. E pra quê, morreu do mesmo jeito o pobre. Larga mão Fulano. Se entrega logo. Morre de uma vez. Pra que esse apego á vida rapaz !? Vai por mim, tô falando isso porque sou seu amigo !!!" 





 É esse tipo de conselho que tenho recebido. 
 Devo desistir da vida porque a luta será doída? 
 Nem fodendo. 
 É minha vida que está em jogo 
Nunca tive medo da luta. 
 Luto porque sei que o prêmio vale muito a pena, 
 qualquer que seja essa pena. 
 Se a morte é inevitável, morrerei lutando. 
 Sou assim mesmo e serei até o fim, 
 qualquer que seja esse fim...


Bola pra frente



Olha só. Fiquei pensando muito no que te dizer nesse dia tão triste. Você sabe o que tenho sofrido, mas hoje fiquei especialmente preocupado com você. Sei que você não merecia sofrer dessa forma, não é justo nem direito. Essa é a questão principal: merecimento. Alguns merecem sofrer, eu inclusive, cavei o poço onde agora estou enterrado. Mas não é esse seu caso.

Compartilho com você também essa sensação de impotência. Ficamos reféns de outra pessoa para quem nós não significamos mais absolutamente nada. Pro outro não existe problema colocado ou a ser resolvido. Pra ele a vida segue, sem dor, sem culpa, olhar posto á frente, planos e sonhos onde não cabemos mais. É triste, é egoísta mas é assim.

Quem sou eu pra te dizer pra tocar a vida pra frente. A minha estancou desde que ela foi embora. Como esquecer ? Como prosseguir ? Como suportar o intolerável !? Meus Deus do céu! Não tenho as respostas, mas sei que vou aprender a conviver com essa dor, esse vazio abissal impreenchível. Acho que vou...

Mas me conforta saber que você, de tão especial, há de superar essa dor na sussa. Não será rápido, mas deixará um aprendizado, espero. Sei que isso fará de você uma pessoa mais completa, mais forte, mais madura. Uma pessoa melhor, com certeza. Não deixe que essa experiência tire sua fé no amor, na vida e sobretudo nas pessoas. Não deixe que o sofrimento torne você uma pessoa pior. Você tem capacidade de arranjar outra pessoa, não digo melhor ou pior, porque isso não vem ao caso. Enquanto isso conte com os amigos, cerque-se deles, use e abuse, torture-os até às vezes, se forem “camaras” vão agüentar firmes e não arredarão pé do seu lado. 

Fique com Deus Camilla, e “quando a chuva passar e o tempo abrir” e aparecer um novo sol na sua vida, não esqueça de dar a boa nova aos amigos, aos “camaras”, pra que eles comemorem com você. 

Força sempre e obrigado por “cuidar” do meu tesouro. 

Abraços.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Paleativos

Essa sua capacidade de se expor, de se desnudar. Acho muito doido ! Exclamou um amigo dia desses, admirado.

Na verdade não é uma capacidade, queridos, é uma necessidade. Sempre fui assim.

Por sorte sempre gostei das palavras. Sempre li muito e sempre gostei de escrever. Mais que isso, gosto do meu traço, gosto de combinar as palavras, manipular sinônimos, antônimos, mixar significantes e significados. Tem me ajudado bastante nesses dias trágicos. Através da escrita desabafo, descarrego toda minha bi-polaridade. O texto me escuta, me entende e me explica. Nele me enxergo, me percebo, converso comigo, me consolo. Nos damos bem já a  muito tempo.

Tenho encontrado conforto na escrita e também no álcool. Pode parecer triste, mas me arrependo de não ter bebido desde o começo disso tudo. Teria me evitado tanto sofrimento. O álcool é mágico. Esqueço instantaneamente da minha tragédia. Passei a ter um certo respeito por quem bebe pra esquecer. Aplausos para nós.

Muito fácil pra você julgar. Rotular-me de fraco, avisar dos perigos. Exclamações e interrogações no conforto de seus relacionamentos estáveis e bem resolvidos. Vão se fuder todos vocês.

Lanço oficialmente a promoção: Pague minhas contas, resolva meus problemas e ganhe o direito de falar da minha vida!!!! Vão se fuder de novo. (Excessão para Hilma, Kênia e Jheylla  e para os demais que tem se preocupado genuinamente comigo (e são muitíssimo poucos) ... e pra quem eventualmente tem me ajudado com problemas e contas).

Abraços.

sábado, 6 de agosto de 2011

Morte e Vida


“Espalhando o que já está morto pro que é vivo crescer.”
(Zé Rodrix in Jesus Numa Moto)

Acho que não seja mais o caso de pensar em sobreviver. Sobreviver a tudo isso restou impossível, muito além das minhas forças. Essa dor delirante, sufocante. Essa angústia que tem me consumido. Essa traição que me amarga a alma e cala e sega o pouco que ainda há de nobre em mim. O corpo dá sinais de esgotamento. Não come, não dorme, sofre apenas. A cabeça, coitada, toda despombalizada, já perde o juízo, não diz coisa-com-coisa, não se concentra, não pensa. Como prosseguir ? Meu coração, tão vital na minha história, insiste e teima e não arreda pé: Quer Ela e pronto.

Se sobreviver a tamanho massacre, depois de tal estrago, o que restará ? Um ser magoado, amargo e triste, carregando “uma pedra no peito”? A alma seca, estéril. O sorriso (?) guardado pra sempre. A alma prostrada, a cabeça baixa. O triste cotidiano acachapante de obrigações e lembranças. Fotos e cartas trocadas. A saudade acenando nos lugares outrora freqüentados, a pulsação acelerada em cada cabelo rebelde, em cada batida na porta, em cada toque do celular. A presença constante da culpa, já em adiantada metástase, se espalhando por todos os aspectos dessa sobre-vida insana.

E o pior. A consciência da própria insignificância por parte da pessoa amada. A outra vida, antes tão unida à sua, segue seu rumo, alheio e indiferente à sua dor. Ser abandonado, substituído e, por fim, esquecido em questão de dias. Como conviver com isso.

Ninguém merece. Eu tampouco.

Já que a moda é pensar apenas na própria felicidade, se o egoísmo é o valor do momento, se o lema é “Serei feliz e os outros que se fodam”, então o melhor é desistir e entregar os pontos. Não vale a pena ser sobrevivente nesse “novo mundo”.

De qualquer maneira, no final a morte vencerá de qualquer forma e em todo e qualquer sentido. Mas será uma vitória já depois da prorrogação, nos penaltis. Embora vencedora, de tão exausta sequer conseguirá erguer a Taça. Mas vencerá.

E depois, que venha a longa estrada do renascimento.